" GUERRILHA URBANA "
Fazia muito frio naquela noite.
A melhor coisa a se fazer era mesmo tomar um chocolate quente, na lanchonete do Tadeu.
Haviamos saído a poucos dias do Exército. E, só queríamos fazer uma espécie de despedida saudável.
Éramos cinco amigos sentados em uma mesa ao canto, conversando e rindo ao relembrarmos certas passagens hilárias que havíamos vivido, tão recentemente.
A cada hora um contava um fato acontecido com um dos outros, que era motivo de riso,e zoação geral.
Cada história era entrecortada por outra, e às vezes o final delas, que todos conheciam, nem chegava a ser contado.
Como a nossa reunião já durava quase uma hora, resolvemos pedir uma pzza.
E foi quando o Silva se levantou para ir falar com o Tadeu, que o inesperado aconteceu.
Como o lugar estava cheio, ao passar por uma mesa onde uns rapazes tomavam algumas bebidas, o Silva, sem querer, esbarou na cadeira de uma das moças que os acompanhava. A bebida que estava nas mãos dela derramou e molhou-lhe a calça.
Não ouvimos discussão. Creio que não houve.
Só vimos quando o Silva se virou em nossa direção e, como a pedir ajuda e tendo uma expressão de surpresa no rosto,simplesmente caiu ao chão com as mãos à barriga.
O rapaz que estava ao lado da moça, sem discutir,simplesmente fincou o garfo, que estava em sua mão, no abdômem do Silva.
O tumulto foi geral. E, nesta confuzão o agressor aproveitou para fugir do local.
Quando conseguimos chegar onde o Silva estava, dois de nós deu prioridade em socorrê-lo.
Os outros dois em se certificar que mais nenhum do grupo, daquela mesa, se evadisse
do local.
O Silva demorou quase dois meses para se recuperar.
O rapaz que o agrediu foi somente fichado, e liberado.
Depois de meses no Exército nos preparando para defender "civis indefesos", vimos que agora tinhamos que nos preparar para nos defendermos destes mesmos "civis indefesos".
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