Sou canhoto. Sempre fui.
Totalmente canhoto.
Por isso, quando criança tive muita dificuldade na escrita com canetas. Pois as únicas que existiam , no meu início de escola, eram as canetas-tinteiro.
Geralmente canhoto escreve deslizando a mão por cima da escrita récem feita.
Este é o meu caso.
E, as canetas-tinteiro, precisavam de um "mata-borrão" para tirar o excesso de tinta do papel. E, como canhoto, eu já esparramava a tinta com minha própria mão, tão logo acabara de escrever.
Meu pai não se conformava em ter um filho canhoto.
Tentava me obrigar à ser destro. Mas, por mais que eu me esforçasse, não conseguia.
Um dia, voltando da escola a pé, vi, numa praça da cidade, um tumulto diferente do normal.
As pessoas estavam maravilhadas com alguma novidade, fantástica.
Curioso, me aproximei.
Então, vi uma das coisas mais incríveis em minha,até ali, curta vida.
O fim dos "pescoções", hoje se diz "pedala", que meu pai me dava na nuca para me forçar a ser destro.
Um homem vendia uma tal de "Bic", que escrevia um caderno inteiro.
E, ele provava isto rabiscando não um, mas vários cadernos, com a mesma caneta.
Verdade. Eu vi.
Era mesmo incrível.
E mais, nem precisava reabastecê-la no estôjo-tinteiro.
Aliás, ela nem possuia um.
Ele passava a mão por cima da escrita tão logo acabava de escrever.
O vendedor disse que ela era "ESFEROGRÁFICA".
Ééé! Ela tinha uma bolinha na ponta, que pelo que eu entendi, era igual nossas bolinhas de gude, só que bem piquiquitinha, que controlava a saída de tinta.
Disse também que ela tinha um canudinho dentro, que era como se coubesse um tinteiro inteirinho lá.
Ahhh! Eu quis uma.
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