" AFOGADO NO SECO "

                         Há pessoas que se debatem, e lutam muito, para não se afogarem numa reprêsa. Ou no mar.Ou onde quer que as águas lhe sejam mais profundas..., ou seu desespero em sair delas, lhe seja maior que suas próprias forças.
                         Milagrosamente algumas dessas pessoas conseguem se salvar e prosseguirem suas vidas.
                         Estas, nunca mais se deixarão pegar na mesma situação.
                         Aprendem a evitá-la.
                         Há porém outras que, ao tomarem um copo d'água, o primeiro gole lhe desce pela via errada.E, lhes corta a respiração.
                         Estas, morrem afogadas no seco.
                         Assim são as difernças entre as pessoas, e suas atitudes, diante dos problemas à enfrentar na vida.
                         Algumas sobrevivem à grandes tormentas, tempestades, ou furacões.
                         Outras se desesperam ao simples vislumbres de uma chuva mais forte.
                         Não devemos sofrer, nem nos entregar, ao nos surgirem os contra-tempos.
                         Eles nos fazem crescer, e aprender.
                         Tudo bem. Se voce quer, sofra duante o processo. Mas, faça uma breve pausa em seu despero,, analise, e continue lutando com todas as suas forças.
                         Ao final, voce verá que tudo é suportável..., e superável, quando  temos  calma e determinação para resolvê-los.
                         Não se deixe morrer afogado no seco
                       

" PINGO "

                  
                      " O que vale mais, a vida de um homem... ou a vida de um cão ? "

                        Quando criança fiz amizade no bairro com um menino de nome Pedrinho.
                        Ambos beirávamos os dez anos de idade.
                        Um dia, em nossas andanças pelo bairro, ficamos sabendo que a cadela de Dona Margareth havia dado cria a oito filhotes. E que ela os daria à quem se interessasse.
                        Fomos lá e, como crianças que éramos, gostamos de todos eles.
                        Eu já tinha um cão, então, não escolhi nenhum.
                        Mas, Pedrinho não tinha. Por isso, quando viu um cãozinho malhado, ficou maravilhado pelo bichinho.
                        Teve a promessa de Dona Margareth de que, se seus pais concordassem, assim que o filhote desmamasse ele seria seu.
                        Fomos embora, e Pedrinho estava radiante com a possibilidade de ser dono daquele cãozinho.        
                        Até já lhe arranjara um nome : " Pingo." Devido às manchas que possuía pelo corpo que, segundo ele, mais pareciam pingos de café, num prato de leite.
                        Chegou em casa e, timidamente, fez o pedido a seus pais.
                        O pai de Pedrinho, Seu Themístocles, era totalmente contrário a qualquer tipo de animal em sua casa. Mas Dona Rosa, sua mãe, com jeitinho, contornou a situação e convenceu o marido a aceitar que o filho tivesse o cãozinho como amigo.
                        Seu Themístocles acabou cedendo. Mas disse ao filho que daria fim ao bicho na primeira que ele aprontasse na casa.
                        Pedrinho, então, tomava todos os cuidados para que seu pai pouco notasse o cãozinho na casa.
                        Pingo acompanhava Pedrinho à todos os lugares.
                        Não se via Pedrinho sem se avistar Pingo a seu lado.
                        Aconteceu que um dia, ao chegar da escola, Pedrinho não foi recepcionado por seu amiguinho.
                        Procurou-o por todos os cantos... e não o encontrou.
                        Sua mãe, com lágrimas no olhos, veio lhe falar que, após seu pai encontrar os sapatos mastigados pelo cachorro, passou uma corda em seu pescoço, e o arrastou rua afora.
                        Pedrinho correu para ver se ainda alcançava o pai. Mas, já era tarde para evitar qualquer desgraça.
                       Soube, na rua, que o pai amarrara o pobre cão à linha do trem e ficara bebendo, esperando pelo desfecho da tragédia.
                       Por mais que o coitado do cão se debatesse para se libertar da corda, ou libertar a corda dos trilhos... tudo foi em vão.
                       Nem mesmo os pedidos  insistentes dos vizinhos  que assistiam à comovente cena, o demoveram  de seu objetivo.
                       Seu Themístocles só se retirou do local após o trem transformar, o infeliz cãozinho, numa massa disforme, de carne e sangue.
                       Pedrinho, após esse dia, nunca mais voltou a ser o menino que era antes.
                       Perdeu o brilho.
                       Perdeu a luz.
                       Perdeu, ali, sua infância.
                       Morreu naquele dia, junto com Pingo, seu companheiro inseparável, a criança alegre que era.
                       Seu Themístocles,com o passar dos dias, ao ver a tristeza do filho, foi tomando consciência do mal que causara.
                       Por isso ninguém soube explicar se foi a bebedeira, ou um possível suicídio, por desgosto ao ver a tristeza nos olhos do filho, que o levou à morrer, meses depois, atropelado por um trem, no mesmo lugar em amarrara o pobre Pingo.