" PERUCAS DE CIGANOS "

                         Cada povo tem seus costumes e tradições. Coisas que lhes são peculiares.
                         E o povo cigano é um desses que posui uma rica diversidade em sua cultura.
                         Acho admirável o seu tino para o comércio.
                         A alegria que transmitem pelas cores de suas roupas e suas festas.
                         Mas tive conhecimento, através de um "contato físico", com um de seus costumes nada agradável.
                         Trabalho em uma ferrovia e certo dia fui levado à uma estação, de carro, onde o trem se encontrava estacionado a uns trezentos metros de sua plataforma.
                         Como a estrada para carros terminava na estação, eu teria que terminar o resto do trajeto a pé.
                         A noite estava escura, e a estrada não possuia iluminação artificial.
                         Pensei então em seguir a trilha que corria paralela aos trihos da ferrovia.
                         Porém o segurança da estação me alertou : "Vá por entre os trihos. Tenha cuidado pois, na trilha, há muita peruca de cigano."
                         Não consegui, na hora, atinar para o que significava aquela curiosa expressão.
                         Sorri, em agradecimento, mas  segui seu conselho.Fui por entre os trilhos.
                         Depois de percorrer cerca de cem metros entre os trilhos avistei, à minha esquerda, um acampamento cigano.
                         O alerta do segurança, com a estranha expressão, me retornou à mente : "Cuidado com as perucas de ciganos."
                         Neste momento, devido à brita irregular da linha me obrigar a pisar com cuidado para não sofrer uma torção no pé,o que já estava começando a me incomodar, resolvi ignorar o aviso recebido e terminar o percurso pela trilha mesmo.
                         Ao dar o segundo passo, na trilha, senti minha botina afundar em algo de categoria pastosa. Ao mesmo tempo em que o ar, à minha volta, se enchia de um odor conhecido de qualquer ser humano.
                         Parei. Só então apanhei minha lanterna na bolsa e tive a desagradável visão daquilo que , imediatamente, identifiquei como "as perucas de ciganos".
                         Como o vento soprava da minha esquerda para a direita, e as "perucas" se encontravam à minha direita, não me foi possível perceber-lhes o cheiro antes.
                         Deduzi que os ciganos haviam comido algo que lhes desencadeara uma disinteria coletiva.
                         Afinal haviam, pelo menos, umas vinte "patacas de perucas". E, devido à urgência que a situação exigiu, eles mal tiveram tempo de atravessarem a linha para fazerem suas necessidades fisiológicas, realizando seus alívios alí mesmo, em um longo trecho da trilha.
                         Porém esta minha dedução inicial caiu por terra. Pois a verdade que fiquei sabendo mais tarde, é que os ciganos costumam fazer suas necessidades próximas ao seu acampamento, para não perderem de vista suas tendas. E assim, vigiá-las enquanto se aliviam.
                        
                  
      
              

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