" PROGRAMA DE ÍNDIO "

                         Cheguei do serviço aquele dia e meu pai me deu o recado : "Seu irmão ligou e disse que amanhã vem, com um amigo, para voces levarem a carcaça do bugre."
                         Explico :
                         Meu irmão havia comprado um fusca velho, e uma carcaça nova de fibra de bugre. E ambos estavam guardados na garagem lá de casa.
                         Eu o ajudaria a montar um bugre, sobrepondo a carcaça sobre o chassis do fusca.
                         Na manhã seguinte chegou meu irmão e um amigo, o "Maranhão", em um chevete novinho.
                         Bom, a idéia era colocar a cacrcaça sobre o teto do fusca e amarrá-la para o transporte.
                         Como o teto do fusca é abauloado, e a base da carcaça plana, a tarefa começou a ficar um tanto quanto complicada. Visto que o fusca não possuía bagageiro.
                         Maranhão vendo, e participando daquela dificuldade toda, sugeriu que a amarrássemos sobre o teto de seu chevete, que era quase plano.
                         Eu e meu irmão achamos um absurdo, e recusamos. Pois, o carro dele também não possuia bagageiro, portanto ficaria todo arranhado.
                         Encontraríamos uma solução pra o impasse.
                         E, a solução foi eu entrar no fusca, fechar as portas e abrir as janelas.
                         Eles amarraram a carcaça sobre o fusca passando as cordas por seu interior. Ficando eu assim, confinado dentro dele até que chegássemos ao nosso destino. A casa de meu irmão, à setenta e dois quilômetros de distãncia.
                         Para observar durante o trajeto se a carcaça não se deslocava, devido ao vento provocado pela velocidade do carro, num movimento que a fizesse se soltar, o que seria um sério desastre no asfalto, virei os retrovisores para cima.
                         Meu irmão e Maranhão me seguiam à meia-distância, como fazem os "carros batedores" que fiscalizam alguns tipos transportes.
                         Seguimos bem por cinquenta quilômetros de asfalto. Sem contratempos, nem federais para nos questionar sobre o transporte inadequado.
                         Dali em diante seriam apenas mais vinte e dois quilômetros, em estrada de terra, até nosso destino.
                         Foi nessa estrada de terra que a coisa toda começou a mudar.
                         Havim duas enormes depressões na estrada, as quais chamávamos de "tobogã".
                         Só pelo vibrar do fusca na estrada, a carcaça se agitou, um pouco, sobre o teto.
                         Olhei pelos retrovisores e a percebi, ainda, em boa posição.
                         À primeira depressão passsamos, razoavelmente, bem.
                         Porém, na segunda, a carcaça se desprendeu das amarras, e alçou um vôo para tráz.
                         Por sorte nossa ela "pousou", intacta ao solo.
                         Meu irmão e Maranhão levaram um susto daqueles. Pois, só puderam parar e torcer para que, após o vôo, ela não os atingisse.
                         Avaliamos a situação e vimos que demoraríamos mais que antes para reposicioná-la sobre o fusca.
                         Novamente Maranhão propôs o teto de seu carro.Mas, para nós era algo totalmaente fora de questão.
                         Foi quando, então, meu irmão falou : "O ideal seria uma caminhonete."
                         Mal acabara de falar surge, no topo dessa depressão, pois estávamos em sua parte mais baixa, uma toyotinha.
                         Sorrimos com a providência enviada.
                         Meu irmão fez sinal e o motorista parou.
                         Então, ele lhe perguntou se havia como colocarmos a carcaça do bugre sobre sua carroceria para terminarmos de chegar.
                         O motorista concordou. Mas, disse que o problema seriam os doze índios que ele transportava em sua carroceria até a aldeia, pois nos encontrávamos dentro de sua reserva.
                         Acondicionamos , uso esta palavra porque acomodar seria ajeitar com conforto, o que não era o caso,  um total de quinze pessoas entre fusca e o chevete.
                         Olha, se é verdade que foram os índios que nos ensinaram a tomar banho, aqueles índios, com certeza, não seguiam as tradições, e ensinamentos, de seus antepassados. Pois, demoramos dias para dissipar, dos dois veículos toda a inhaca que ficou após aquele transporte.
                      

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