" VÓ ZIZA "

                         Havia nas pequenas cidades,e alguns vilarejos ainda hoje manteem este costume de, à tardinha, colocarem as cadeiras nas calçadas, em frente às casas, e se sentarem com os vizinhos para momentos de conversas.
                         Falava-se das coisas do dia-a dia. Da vida.
                         Dona Ziza, ou como a chamávamos: Vó Ziza, era um desses perssonagens que nos marcam a infância, por seu carisma...e sua doçura.
                         Ela gostava de se sentar em sua cadeira e, com um bando de crianças ao seu redor, nos fazer passear pelos pomares e fazendas de sua infância.
                         Bebíamos, em sonhos, da mesma água da nascente que ela bebera.
                         Banhávamos, em fantasia, no mesmo ribeirão em que ela se banhara.
                         Corríamos, em pensamentos, pelos mesmos matos e estradas poeirentas, em que ela correra.
                         Revivíamos, em devaneios, as suas aventuras e traquinagens de criança livre e feliz.
                         Vó Ziza era uma exímia contadora de histórias e causos.
                         Ela conseguia despertar , em nós, a vontade latente de querer-lhe ouvir sempre mais, e mais, das suas hitórias.
                         Mas, os sonhos são como fumaça.
                         Se esvaem.
                         A vida não nos pede licença. E, deixa que a faca do destino nos corte a carne, e nos sangre a alma.
                         O dia em que sua cadeira ficou vazia, na frente da casa, à tardinha, sentamo-nos ao seu redor... e recontamo-nos algumas de suas histórias.
                         Ríamos... e chorávamos, com as lembranças.
                         Vó Ziza, de onde quer que tenha nos visto, deve ter ficado feliz com a nossa homenagem.
                         Por todos nós... obrigado.

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