Era para ser um domingo normal. Tranquilo.
Íamos todos à casa de minha avó. Só que desta vez estávamos felizes por não termos de ir de ônibus. Afinal de contas, meu pai havia comprado um "Godinni".
Tudo bem que não era um carro novo. Mas, dava pra quebrar o galho.
Era quase um semi-novo.
Tá, vou confessar : não chegava a tanto.
Mas meu pai disse que ele tinha "procedência".
Eu num entendi muito bem, naquele dia, o que aquela palavra queria dizer não.
Mas meu pai botou tanta ênfaze nela, que eu vi que só podia ser uma coisa muito boa, aquela tal de "procedência".
Bom, ajeitamos nossas tralhas e entramos, felizes, no " Glorioso Gordinni ", como o chamamos.
Meu pai, enquanto dirigia, ia elogiando o carro.
Falava de seu incrivel desempenho na estrada.
Segundo ele era um carro que, vazio, logicamente considerando-se apenas o motorista dentro, podia chegar a uma velocidade de noventa quilômetros por hora.
No momento, como estava lotado por nós seis, tinhamos que nos contentar com um máximo de setenta por hora.
E a viagem seguia.
Quando já avistávamos a casa de nossa avó, sentimos um forte cheiro de borracha queimada.
Mais alguns metros à frente,quando passávamos ao lado de um campo de futebol, onde o 'Olaria F.C.", time local, fazia uma partida, meu pai derrepente parou o carro e desceu, deseperado, gritando para todos saírem rapidamente de dentro, pois o gordinni havia sofrido um curto circuito, e começara a se incendiar.
Enquanto meu pai se preocupava em retirar sua família de dentro do carro, um dos jogadores apareceu, já com um extintor às mãos, e conteve o princípio de incêndio,. Salvando assim de uma morte precoce, o glorioso gordinni de meu pai.
Como a casa de minha avó estava próxima, terminamos de chegar a pé mesmo.
Mais tarde meu tio, com uma corda amarrada à trazeira de seu fusca, rebocou o gordinni. E, dentro dele seguíamos todos nós de volta para casa.
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