" UM DIA É DO TOURO... "

                         Sempre que íamos à casa de minha avó, eu, meus irmãos e nossos primos, andávamos juntos todo o tempo, procurando com o que nos divertir.
                         E isso sempre nos levava à uma boa aventura.
                         Não foi diferente aquele dia em que resolvemos ir ao Mochuara, uma montanha que existe por lá.
                         Caminhávamos pela estrada de terra ora olhando pássaros e animais silvestres, ora outros bichos quaisquer.
                         Ao longo da estrada haviam muitos pequenos sítios. Visto que era uma área totalmente rural.
                         Foi exatamente no pasto de um desses sítios que nós o avistamos.
                         Pastava tranquilamente, e só.
                         Ele não tinha uma cara de bons amigos. Talvez por isso tenha nos interessado ainda mais.
                         Tiramos a "sorte", no par ou impar, para ver qual de nós seria o corajoso à entrar em seu cercado, e o desafiar para uma "tourada".
                         Devo confessar aqui que todos nós estávamos receosos em desafiá-lo. Pois, se houvesse algum corajoso entre nós, não havreia necessidade do par ou impar. Nem ficaríamos felizes em perder a disputa.
                         Pois bem, meu irmão "ganhou" o privilégio do desafio.
                         Tirou a camisa, e passou por debaixo da cerca de arame farpado.
                         Foi pé anti pé se aproximando, sacudindo sua camisa, e chamando o touro baixinho.
                         Como o animal, à princípio, o ignorasse, apesar que de vez em quando virava a cabeça para olhá-lo, o que fazia com que meu irmão nessa hora desse uma parada, ele foi tomando confiança e desafiando o touro com voz cada vez mais alto.
                         Nós, do outro lado da cerca, o incentivávamos, cada vez mais, a ir em frente.
                         Derrepente, sem aviso prévio, o touro disparou em sua direção.
                         Meu irmão, quando pensou em correr em nossa direção, como que a nos pedir socorro, já não nos viu na cerca.
                         Parecíamos filhos do vento, à levantar poeira estrada afora, devido à ligeiresa de nossas bambas pernas.
                         Meu irmão, coitado, quando se viu só, desconsiderado-se seu amigo touro, correu em direção à cerca, com o animal bufando à sua captura.
                         Ninguém, nem mesmo ele, sabe explicar como ele ultrapassou o arame da cerca. Se por cima ou por baixo. O certo é que ele a ultrapassou sem se arranhar. E, seguiu correndo para nos apanhar.
                         Só que, o danado do touro não desistiu dele.
                         Rompeu a frágil cerca no peito e continuou em seu encalço.
                         Quando olhamos para trás e vimos meu irmão tentando nos alcançar, e o touro tentando alcançar meu irmão, nos jogamos nos matos laterais à estrada, e gritamos para ele : "Num pára não, num pára não. Continua correndo. Continua correndo."
                         Nunca tínhamos visto meu irmão correr tanto, quanto naquele dia.
                         Meu irmão e o touro passaram por onde estávamos, e sumiram na curva da estrada.
                         Mais tarde o encontramos, na casa de minha avó, todo "lanhado".
                         Para se desvencilhar daquele "touro maluco", ele correra rumo a um barranco, já nosso conhecido de outras brincadeiras, e se jogou lá embaixo.
                         O touro ficou lá de cima a bufar, e vê-lo se afastar.
                         Naquele dia  aprendemos que: "Um dia é do touro... , e este, é o mesmo dia da gente correr".
                        
                
             

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