" À PROCURA DE WALLY "

                          Havia a mais tempo, ou ainda há, disso não posso dar certeza, um joguinho que vinha em uma  revista, cujo objetivo era se descobrir onde Wally, um personagem, se encontrava na cena.
                          A cena podia ser a foto de uma platéia de circo.
                          O centro tumultuado urbano de uma cidade, onde se confundiam prédios, pessoas, carros e tudo o mais de direito.
                          Wally podia estar em qualquer lugar.
                          Num carro. Na lanchonete. Na multidão.
                          As probabilidades eram imensas.
                          Muitas vezes em minha vida, quando algum problema se fazia fortemente presente, e eu me perdia em busca de sua solução, indubitavelmente este joguinho me retornava à mente., em um socorro à minha necessidade iminente.
                          Aí, eu parava. Olhava a situação como um todo, como se eu própio não fizesse parte da cena que via, e me perguntava : "Onde está Wally?"
                          No caso, Wally significava a solução para o meu problema.
                          Mas, errôneamente o procurando como solução, vim a descobrir, mais tarde, que Wally se encontrava, exatamente, no lado oposto ao que eu o procurava.
                         Wally mostou-se estar na origem de meus problemas.
                         Ou seja, de pouco ou nada adianta ignorarmos uma situação, acreditando que ela, por si só se resolverá.,passará, ou ainda, cairá no esquecimento, fazendo com que a vida continue fluindo.
                         Que podemos simplesmente observá-la, como se à ela não pertencessemos, ou ela à nós.
                         É lêdo engano atitude tão covarde.
                         As marcas, as mágoas ou os ressentimentos, permanecerão incubados.
                         Um dia, por qualquer que seja o motivo, elas podem eclodir. E se apresentarem como uma doença devastadora. Incurável. Fatal.
                         Então, o que nos resta a fazer é procurarmos por Wally no fato que iniciou o nosso problema.
                         Talvez tenha sido uma palavra mal dita, num momento impróprio.
                         Talvez, antes de sermos feridos, tenhamos ferido sem intenção. Sem percebermos.
                         Cabe-nos, então, retrocedermos àquele momento, e pedirmos perdão pelo ato, ou palavra dita.,impensada, à quem magoamos. Ou ferimos.
       

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