" MEU ENCONTRO COM UM ANJO NA CALÇADA "

                         Há certas situações que nos surpreendem.
                         Gosto quando algo me acontece para ensinar ao espírito.
                         Foi o que me aconteceu naquele dia, quando me aproximava da entrada de um restaurante, para jantar após um dia exaustante, e desgastante, de serviço.
                         Um menino, de aproximadamente doze anos, se interpôs em meu caminho, e me pediu que lhe pagasse um marmitex.
                         Não se encontrava muito sujo. Porém, estava bastante maltrapilho.
                         Tinha os olhos um tanto esbugalhados. Típico das crianças mal alimentadas.
                         O que era-lhe notório, devido seu corpo esqueléticamente subnutrido.
                         Não tive dúvida em lhe atender ao pedido.
                         Só lhe pedi que aguardasse ali mesmo, na calçada.
                         Sabia, e temia, que se ele entrasse no estabelecimento pudesse ser expulso com uma certa rudeza, por parte de algum funcionário.
                         Por isso entrei só, e pedi que me preparassem um marmitex grande, e completo.
                         Como sou conhecido do estabelecimento, sabia que caprichariam, pensando ser, realmente, para mim.
                         Vi o exelente preparo, e a generosidade na quantidade de comida colocada no vasilhame térmico.
                         Depois de pronto, ele me foi entregue.
                         Agradeci e me encaminhei diretamente à calçada, e o entreguei ao menino.
                         Ele me agradeceu com muita sinceridade na voz, e em toda sua expressão do olhar.
                         Mas, para minha surprêsa ao invés de sentar e comê-lo ali mesmo, pegou e ajeitou-o, com todo o cuidado, na garupa de sua velha bicicleta, que só agora eu percebera existir.
                         Perguntei-lhe por que não a comia ali mesmo?
                       
                         Ao que ele me respondeu:
                       " Minha mãe, e meu irmãozinho, estão em casa me esperando.
                         Só saí para ver se conseguia alguma coisa pra gente comer."
                        
                       Montou em sua bicicleta, e sumiu rua abaixo.
                       Me deixou em pé, na calçada, a admirar seu amor e zêlo por sua família, enquanto desaparecia na escuridão da noite.

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