Estamos sempre procurando a pessoa certa para amar, conviver... compartilhar.
Nem sempre acertamos, de primeira, um relacionamento.
Namoramos, brigamos, terminamos..., voltamos.
Tentamos, e tentamos.
Conseguimos..., ou desistimos.
Partimos para outras tentativas. Ou não.
Como calçados que, ao escolhermos, não nos podem ser menores nem maiores que nossos pés.
Têem que nos ser confortáveis. Não nos incomodar.
Afinal, há um calçado certo para cada tipo, e tamanho de pé.
E, quando ele começa a nos apertar o calo...
É porque é hora de pensar em troca-lo.
Eu estava sentado em uma loja de calçados, escolhendo um bom tênis para minhas corridas matinais, quando eles entraram.
O rapaz aparentava uns dezoito anos.
A menina, não mais que dezesseis.
Falavam à meia voz.
Gesticulavam muito, um para o outro.
O que acontecia era que ela o questionava sobre suas "muitas" amizades femininas.
Ele, inutilmente, tentava argumentar.
Não lhes ouvi muito da conversa. Mas, pensei comigo: " É amigo, cuidado . O calçado começa a lhe incomodar no pé."
" O VIRA-LATAS "
Eu estava retornando da escola, concentrado em meu sapato novo, todo feito em borracha prêta alpargata, quando entrei por aquela rua.
Senti um silêncio inquietante no ar.
O vento levantava poeira, na rua deserta.
Era como se eu pressentisse que algo de muito perigoso estivesse para acontecer.
Meus sentidos, imediatamente, me deixaram em estado de alerta.
Eu dava, cada passo, com mais cautela.
Como que a escolher onde colocar o pé.
Tipo um soldado a caminhar por um campo minado.
Assim, com o olhar a percorrer cada centímetro daquela rua, fui por ela avançando lentamente.
Esperava que, com um pouco de sorte, conseguisse atravessá-la sem surpresas. E aí, passaria aquela estranha sensação que me atormentava.
Agora só me faltava vencer a distância de umas poucas casas.
Porém, quando eu já me encontrava à quatro casas para terminá-la, passei em frente a um portão entreaberto.
Foi de lá que ele surgiu.
Não era grande.
Nem mesmo feio.
Mas, o danado era determinado.
E, demonstrava muita vontade de morder meu calcanhar.
Correu em minha direção com um apetite tão voraz, que fui obrigado a abandonar meu material escolar ali mesmo, no meio da rua, e correr o máximo que pude para evitar que aquela fera, de pouco mais de um palmo de altura, concretizasse sua canina intenção.
Corri. Corri como que para salvar minha própria vida.
Não sei, e até hoje não entendo, como que aquelas pernas tão curtinhas podiam ser tão mais rápidas que as minhas, cinco vezes maiores.
Só posso deduzir que o motivo é porque eram quatro, e eu só possua duas.
Deve ser isso sim, a explicação para tanta velocidade.
O fato é que ele se aproximava dos meus calcanhares rápida, e ferozmente.
Quando percebi que não conseguiria escapar ao seu ataque, corri em direção a um portão de grade, e saltei nele, para fugir àquela inevitável mordida.
Afoito por subir na grade não me firmei direito, e minhas mãos escorregaram.
Derrepente me vi no ar, caindo rumo ao chão.
Sem ter como evitar a queda, já imaginei a sena final.
Mas, nunca fui muito bom em imaginar senas finais. Pois, diferente das mordidas que aguardava sofrer, quando chegasse ao chão, o que aconteceu foi que caí sobre um dos braços, fraturando-o.
Enquanto me preocupava com o braço, me esqueci do cão.
E me pareceu que o cão achou a minha dor, pelo braço fraturado, suficiente.
Pois, parou próximo à mim, e deu dois latidos.
Me olhou, agora em silêncio, virou-me as costas... e se foi.
Me levantei. Juntei meu material, e me fui.
Agora segurava um braço, que doía muito.
Por um bom tempo aquela rua deixou deser meu caminho para casa, ou para a escola.
Senti um silêncio inquietante no ar.
O vento levantava poeira, na rua deserta.
Era como se eu pressentisse que algo de muito perigoso estivesse para acontecer.
Meus sentidos, imediatamente, me deixaram em estado de alerta.
Eu dava, cada passo, com mais cautela.
Como que a escolher onde colocar o pé.
Tipo um soldado a caminhar por um campo minado.
Assim, com o olhar a percorrer cada centímetro daquela rua, fui por ela avançando lentamente.
Esperava que, com um pouco de sorte, conseguisse atravessá-la sem surpresas. E aí, passaria aquela estranha sensação que me atormentava.
Agora só me faltava vencer a distância de umas poucas casas.
Porém, quando eu já me encontrava à quatro casas para terminá-la, passei em frente a um portão entreaberto.
Foi de lá que ele surgiu.
Não era grande.
Nem mesmo feio.
Mas, o danado era determinado.
E, demonstrava muita vontade de morder meu calcanhar.
Correu em minha direção com um apetite tão voraz, que fui obrigado a abandonar meu material escolar ali mesmo, no meio da rua, e correr o máximo que pude para evitar que aquela fera, de pouco mais de um palmo de altura, concretizasse sua canina intenção.
Corri. Corri como que para salvar minha própria vida.
Não sei, e até hoje não entendo, como que aquelas pernas tão curtinhas podiam ser tão mais rápidas que as minhas, cinco vezes maiores.
Só posso deduzir que o motivo é porque eram quatro, e eu só possua duas.
Deve ser isso sim, a explicação para tanta velocidade.
O fato é que ele se aproximava dos meus calcanhares rápida, e ferozmente.
Quando percebi que não conseguiria escapar ao seu ataque, corri em direção a um portão de grade, e saltei nele, para fugir àquela inevitável mordida.
Afoito por subir na grade não me firmei direito, e minhas mãos escorregaram.
Derrepente me vi no ar, caindo rumo ao chão.
Sem ter como evitar a queda, já imaginei a sena final.
Mas, nunca fui muito bom em imaginar senas finais. Pois, diferente das mordidas que aguardava sofrer, quando chegasse ao chão, o que aconteceu foi que caí sobre um dos braços, fraturando-o.
Enquanto me preocupava com o braço, me esqueci do cão.
E me pareceu que o cão achou a minha dor, pelo braço fraturado, suficiente.
Pois, parou próximo à mim, e deu dois latidos.
Me olhou, agora em silêncio, virou-me as costas... e se foi.
Me levantei. Juntei meu material, e me fui.
Agora segurava um braço, que doía muito.
Por um bom tempo aquela rua deixou deser meu caminho para casa, ou para a escola.
" RUMOS "
É curioso como uma história, um conto, um poema que lemos, ou uma música que escutamos possam interferir em nossas vidas nos fazendo tomar atitudes e decisões que nos mudam, talvez até mesmo nos empurrem, ao nosso destino.
Sempre gostei de música. Sempre ouvi muita música.
Creio ter herdado este gosto de minha mãe.
E foi uma música que me levou a deixar a casa de meus pais, e buscar meu espaço no mundo lá fora.
Em seus versos ela dizia :
" Amigos, a gente encontra.
O mundo não é só aqui.
Repare naquela estrada,
A que distância nos levará ?
As coisas que eu tenho aqui...
Na certa terei por lá.
Segredos de um caminhante,
Fronteiras a desvendar."
( Raimundo fagner )
Não me arrependo de ter partido. Pois, sempre soube que tinha a opção de retornar.
" Apanhei / Bati.
Ensinei / Aprendi.
Chorei / Sorri.
Sofri / Vivi."
Quando temos um mapa, às mãos por onde seguirmos. Uma búsola a nos orientar a rota.E, um porto seguro onde aportar, caso uma tempestade mais forte venha a nos ameaçar a chegada ao destino desejado, não tememos o mar. Nem mesmo seus monstros a nos assombrar nas noites turbulentas e solitárias.
Sempre gostei de música. Sempre ouvi muita música.
Creio ter herdado este gosto de minha mãe.
E foi uma música que me levou a deixar a casa de meus pais, e buscar meu espaço no mundo lá fora.
Em seus versos ela dizia :
" Amigos, a gente encontra.
O mundo não é só aqui.
Repare naquela estrada,
A que distância nos levará ?
As coisas que eu tenho aqui...
Na certa terei por lá.
Segredos de um caminhante,
Fronteiras a desvendar."
( Raimundo fagner )
Não me arrependo de ter partido. Pois, sempre soube que tinha a opção de retornar.
" Apanhei / Bati.
Ensinei / Aprendi.
Chorei / Sorri.
Sofri / Vivi."
Quando temos um mapa, às mãos por onde seguirmos. Uma búsola a nos orientar a rota.E, um porto seguro onde aportar, caso uma tempestade mais forte venha a nos ameaçar a chegada ao destino desejado, não tememos o mar. Nem mesmo seus monstros a nos assombrar nas noites turbulentas e solitárias.
" QUINZIN "
Laélio, um amigo meu, chegou lá em casa de bicicleta para irmos brincar no "tobogã".
Tobogã era como chamávamos uma depressão que havia em um terreno, formando um enorme bacião no chão.
Ficava a uns tres bairros do nosso.
Peguei minha bicicleta e fomos.
Brincamos por lá umas boas duas horas.
Satisfeitos, e cansados, resolvemos que já era hora de voltar para casa.
Só que, para retornarmos ao nosso bairro, teríamos que passar, novamente, pelos tres bairros de antes. E já era início de noite.
Em todos os bairros, inclusive no nosso, haviam várias "turmas', hoje em dia conhecidas como gangues de meninos, que eram os verdadeiros donos do bairro.
Niguém atravessava seu território sem que lhes desse satisfação do que fora lá fazer.
Esses encontros "casuais" sempre acabavam em brigas. Geralmente de uma turma, cinco a oito garotos, contra um ou dois outros moleques.
O que era a situação atual nossa.
Encontramos uma dessas turmas no Bairro Sotema.
Eram seis ou sete garotos que estavam encostados em uma cerca velha, de um terreno baldio.
Fingimos não vê-los. Mas, por precaução, passamos mais pelo meio da rua.
Foi quando ouvi um grande barulho na roda traseira de minha bicicleta. Resultado de uma generosa pedrada.
Parei.
Laélio coitado, solidário à mim, também parou.
Olhei se havia alguma avaria. Como não havia, achei melhor prosseguirmos.
Ao montarmos, novamente em nossas bicicletas, outra pedrada atingiu a minha.
Parei, novamente, desci e perguntei quem havia jogado a pedra. Pois, percebi que não haveria como fugirmos ao embate.
Enquanto perguntava olhava-os, um a um, tentando gravar o rosto de pelo menos dois para, quando aparecessem pelo nosso bairro, cercá-los, e ir à forra.
Foi quando ouvi uma voz conhecida vinda do meio deles, que disse :
" Voces são uns covardes. Mexem com o cara e depois se escondem.
Se voces querem brigar com ele, e falou isso apontando para mim, vai um de cada vez.
Ele é faixa verde de judô. Ele quebra todos voces."
Quem falara isto era o "Quinzin".
Quinzin era uma espécie de primo adotivo nosso. Sempre estava na casa de minha avó, como se fosse um de seus netos.
Aí eu pensei : "Humm, vai dar merda."
Laélio tava pálido, já imaginando o massacre que sofreríamos.
O jeito foi eu soltar a bicicleta ao chão, ficar de frente para eles e esperar a hora de agir.
Fiz um sinal a Laélio que, entendendo a situação em que nos encontrávamos , também se preparou.
Parece que as palavras de Quinzin, somado à nossa postura, animou mais ainda a turma.
Eles partiram em bloco correndo em nossa direção.
E nós também, sem medo algum, corremos também.
Só que corremos para salvar nossas peles. E, enquanto corríamos eu gritei :
"Quinzin ,seu fdp, voce me paga, seu v..."
Só paramos quando terminou o bairro.
Apesar do pouco fôlego que nos restou, rimos bastante daquela situação hilária, agora nos sentindo mais seguros.
Na manhã seguinte Quinzin levou nossas bicicletas lá em casa.
Tobogã era como chamávamos uma depressão que havia em um terreno, formando um enorme bacião no chão.
Ficava a uns tres bairros do nosso.
Peguei minha bicicleta e fomos.
Brincamos por lá umas boas duas horas.
Satisfeitos, e cansados, resolvemos que já era hora de voltar para casa.
Só que, para retornarmos ao nosso bairro, teríamos que passar, novamente, pelos tres bairros de antes. E já era início de noite.
Em todos os bairros, inclusive no nosso, haviam várias "turmas', hoje em dia conhecidas como gangues de meninos, que eram os verdadeiros donos do bairro.
Niguém atravessava seu território sem que lhes desse satisfação do que fora lá fazer.
Esses encontros "casuais" sempre acabavam em brigas. Geralmente de uma turma, cinco a oito garotos, contra um ou dois outros moleques.
O que era a situação atual nossa.
Encontramos uma dessas turmas no Bairro Sotema.
Eram seis ou sete garotos que estavam encostados em uma cerca velha, de um terreno baldio.
Fingimos não vê-los. Mas, por precaução, passamos mais pelo meio da rua.
Foi quando ouvi um grande barulho na roda traseira de minha bicicleta. Resultado de uma generosa pedrada.
Parei.
Laélio coitado, solidário à mim, também parou.
Olhei se havia alguma avaria. Como não havia, achei melhor prosseguirmos.
Ao montarmos, novamente em nossas bicicletas, outra pedrada atingiu a minha.
Parei, novamente, desci e perguntei quem havia jogado a pedra. Pois, percebi que não haveria como fugirmos ao embate.
Enquanto perguntava olhava-os, um a um, tentando gravar o rosto de pelo menos dois para, quando aparecessem pelo nosso bairro, cercá-los, e ir à forra.
Foi quando ouvi uma voz conhecida vinda do meio deles, que disse :
" Voces são uns covardes. Mexem com o cara e depois se escondem.
Se voces querem brigar com ele, e falou isso apontando para mim, vai um de cada vez.
Ele é faixa verde de judô. Ele quebra todos voces."
Quem falara isto era o "Quinzin".
Quinzin era uma espécie de primo adotivo nosso. Sempre estava na casa de minha avó, como se fosse um de seus netos.
Aí eu pensei : "Humm, vai dar merda."
Laélio tava pálido, já imaginando o massacre que sofreríamos.
O jeito foi eu soltar a bicicleta ao chão, ficar de frente para eles e esperar a hora de agir.
Fiz um sinal a Laélio que, entendendo a situação em que nos encontrávamos , também se preparou.
Parece que as palavras de Quinzin, somado à nossa postura, animou mais ainda a turma.
Eles partiram em bloco correndo em nossa direção.
E nós também, sem medo algum, corremos também.
Só que corremos para salvar nossas peles. E, enquanto corríamos eu gritei :
"Quinzin ,seu fdp, voce me paga, seu v..."
Só paramos quando terminou o bairro.
Apesar do pouco fôlego que nos restou, rimos bastante daquela situação hilária, agora nos sentindo mais seguros.
Na manhã seguinte Quinzin levou nossas bicicletas lá em casa.
"SHUMAN"
Shuman foi um grande amigo que tive em uma academia de judô, que frequentei.
Demos-lhe este apelido devido à sua aparência meio oriental.
Entramos na academia no mesmo período.
Sempre treinávamos juntos.
Quando competíamos, era difícil saber quem saíria vitorioso. Visto que conhecíamos, muito bem, as mandingas um do outro.
Éramos muito disciplinados, e determinados.
Chegávamos, e saíamos juntos da academia.
Éramos como irmãos.
Certo dia o mestre nos informou que haveria uma competição entre as academias regionais. E, para isso começamos a nos preparar com mais afinco que antes.
Foram longos dois meses em que nosso mestre nos dedicou uma atenção especial.
No dia da competição estávamos muito mais ansiosos que nervosos.
As lutas estavam difíceis.Sendo disputadas ponto a ponto.
Pelo jeito todas as academias se empenharam em preparar, muito bem, os seus alunos.
Minha luta foi um pouco antes que a de Shuman. E, apesar de minha vitória, foi uma luta demorada e difícil.
Finalmente chegara a vez de Shuman.
Shuman marcou o primeiro ponto com um "okuri-ashi-barai".
Seu adversário conseguiu se recuperar aplicando-lhe um "ossotogari".
O golpe seguinte,bem executado por qualquer um dos dois, definiria o vencedor. Determinaria o fim da luta.
Shuman tomou a iniciativa do golpe, tentando aplicar-lhe um golpe de quadril, o "ogoshi". Mas, seu adversário conseguiu evitá-lo, e revidou-llhe com um contra-golpe, o "o-tsuri-goshi". Também um golpe de quadril em que o adversário é arremessado sobre os ombros.
No judô, quando se executa um golpe deste tipo, segurasse um dos braços de quem está sendo arremessado, para que ele caia ao chão em segurança, evitando que se machuque, ao tocar o solo.
Não foi o que aconteceu naquele dia.
A mão do outro competidor se abriu, deixando a manga do kimono de Shuman escapulir.
Shuman fez um vôo livre, e descontrolado para fora do tatame, até atingir o solo.
Ao atingi-lo, permaneceu imóvel.
Corri, imediatamente, até ele para me certificar de que tudo estava bem.
Ele apenas me olhou, ainda sem se mover.
Talvez pela dor, ou por antever sua situação futura,vi uma lágrima lhe escorrer pelo canto dos olhos.
Sabíamos, naquele exato momento, que nada havia para se fazer.
Shuman nunca mais voltou a lutar.
Shuman nunca mais voltou a andar.
Chorei, calado, por meu amigo. Meu parceiro de academia.
Abandonei a competição.
Abandonei o judô.
Demos-lhe este apelido devido à sua aparência meio oriental.
Entramos na academia no mesmo período.
Sempre treinávamos juntos.
Quando competíamos, era difícil saber quem saíria vitorioso. Visto que conhecíamos, muito bem, as mandingas um do outro.
Éramos muito disciplinados, e determinados.
Chegávamos, e saíamos juntos da academia.
Éramos como irmãos.
Certo dia o mestre nos informou que haveria uma competição entre as academias regionais. E, para isso começamos a nos preparar com mais afinco que antes.
Foram longos dois meses em que nosso mestre nos dedicou uma atenção especial.
No dia da competição estávamos muito mais ansiosos que nervosos.
As lutas estavam difíceis.Sendo disputadas ponto a ponto.
Pelo jeito todas as academias se empenharam em preparar, muito bem, os seus alunos.
Minha luta foi um pouco antes que a de Shuman. E, apesar de minha vitória, foi uma luta demorada e difícil.
Finalmente chegara a vez de Shuman.
Shuman marcou o primeiro ponto com um "okuri-ashi-barai".
Seu adversário conseguiu se recuperar aplicando-lhe um "ossotogari".
O golpe seguinte,bem executado por qualquer um dos dois, definiria o vencedor. Determinaria o fim da luta.
Shuman tomou a iniciativa do golpe, tentando aplicar-lhe um golpe de quadril, o "ogoshi". Mas, seu adversário conseguiu evitá-lo, e revidou-llhe com um contra-golpe, o "o-tsuri-goshi". Também um golpe de quadril em que o adversário é arremessado sobre os ombros.
No judô, quando se executa um golpe deste tipo, segurasse um dos braços de quem está sendo arremessado, para que ele caia ao chão em segurança, evitando que se machuque, ao tocar o solo.
Não foi o que aconteceu naquele dia.
A mão do outro competidor se abriu, deixando a manga do kimono de Shuman escapulir.
Shuman fez um vôo livre, e descontrolado para fora do tatame, até atingir o solo.
Ao atingi-lo, permaneceu imóvel.
Corri, imediatamente, até ele para me certificar de que tudo estava bem.
Ele apenas me olhou, ainda sem se mover.
Talvez pela dor, ou por antever sua situação futura,vi uma lágrima lhe escorrer pelo canto dos olhos.
Sabíamos, naquele exato momento, que nada havia para se fazer.
Shuman nunca mais voltou a lutar.
Shuman nunca mais voltou a andar.
Chorei, calado, por meu amigo. Meu parceiro de academia.
Abandonei a competição.
Abandonei o judô.
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