Os balões sempre me fascinaram.
De dia, por seus diversos coloridos pintando o céu. Alegrando os ares.
À noite, ao iluminar o negrume com suas buchas ascesas.
O Bairro Santo antônio, nos dias dedicados ao padroeiro, era de onde mais os víamos surgir.
Era um bairro que ficava frente ao nosso. Porém, do outro lado do braço de mar que os dividia.
Além dos balões, aqueles eram dias de muitas pipas no ar.
Os meninos do bairro usavam cerol e, como lá em casa éramos proibidos de fabricá-lo, nossas pipas eram facilmente "cortadas" pelas outras.
Foi por este motivo que criamos a "Tática das Quatro Pipas".
Ela funcionava da seguinte forma :
Eu e meus irmãos fazíamos quatro pípas, lógico.
Uma delas bonita, de papel de sêda. Esta seria a nossa "pipa de corte".
As outras três de papel pobre. Podia ser de papel de pão, de embrulhar tecido, de jornal, de folha fina do caderno de desenho, não importava.
A que era de papel de sêda, dávamos para um amigo soltar da laje de sua casa.
Era essencial que a sua linha possuísse cerol.
As outras tres, as pipas pobres, nós mesmos as empinávamos de nossa laje. Mas, todas as quatro tinham que estar no ar simultaneamente.
Como eu disse, não usávamos cerol, mas usávamos linha dez,que é uma linha mais forte, ou nylon fino.
Se uma pipa feia desafiasse a do nosso amigo, no caso anossa de sêda, ele fugia ao embate. Mas, se ele fosse desafiado por uma pipa mais bonita, ou uma que estava cortando mais pipas no ar, então entrávamos os tres na disputa.
Escolhíamos um ponto da linha da pipa invasora, e começavamos a miná-lo. Quer dizer, atacávamos um espaço de vinte metros de sua linha, de preferência onde ela formava uma "barriga" no ar, para eliminar seu cerol.
Geralmente perdíamos algumas dessas "pipas de combates".
Quando percebíamos que ele pretendia baixar sua pipa, para reforçar o cerol naquele ponto que fragilizamos, nosso amigo o atacava, no mesmo ponto, e o cortava.
Neste momento um de nós, geralmente eu, corria acompanhando a sua trajetória de queda, a recolhia e a levava para casa.
Estas que "conquistávamos" se tornaria, futuramente, numa eventual necessidade, a nossa nova "pipa de corte", quando perdêssemos a nossa de sêda.
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