Laélio, um amigo meu, chegou lá em casa de bicicleta para irmos brincar no "tobogã".
Tobogã era como chamávamos uma depressão que havia em um terreno, formando um enorme bacião no chão.
Ficava a uns tres bairros do nosso.
Peguei minha bicicleta e fomos.
Brincamos por lá umas boas duas horas.
Satisfeitos, e cansados, resolvemos que já era hora de voltar para casa.
Só que, para retornarmos ao nosso bairro, teríamos que passar, novamente, pelos tres bairros de antes. E já era início de noite.
Em todos os bairros, inclusive no nosso, haviam várias "turmas', hoje em dia conhecidas como gangues de meninos, que eram os verdadeiros donos do bairro.
Niguém atravessava seu território sem que lhes desse satisfação do que fora lá fazer.
Esses encontros "casuais" sempre acabavam em brigas. Geralmente de uma turma, cinco a oito garotos, contra um ou dois outros moleques.
O que era a situação atual nossa.
Encontramos uma dessas turmas no Bairro Sotema.
Eram seis ou sete garotos que estavam encostados em uma cerca velha, de um terreno baldio.
Fingimos não vê-los. Mas, por precaução, passamos mais pelo meio da rua.
Foi quando ouvi um grande barulho na roda traseira de minha bicicleta. Resultado de uma generosa pedrada.
Parei.
Laélio coitado, solidário à mim, também parou.
Olhei se havia alguma avaria. Como não havia, achei melhor prosseguirmos.
Ao montarmos, novamente em nossas bicicletas, outra pedrada atingiu a minha.
Parei, novamente, desci e perguntei quem havia jogado a pedra. Pois, percebi que não haveria como fugirmos ao embate.
Enquanto perguntava olhava-os, um a um, tentando gravar o rosto de pelo menos dois para, quando aparecessem pelo nosso bairro, cercá-los, e ir à forra.
Foi quando ouvi uma voz conhecida vinda do meio deles, que disse :
" Voces são uns covardes. Mexem com o cara e depois se escondem.
Se voces querem brigar com ele, e falou isso apontando para mim, vai um de cada vez.
Ele é faixa verde de judô. Ele quebra todos voces."
Quem falara isto era o "Quinzin".
Quinzin era uma espécie de primo adotivo nosso. Sempre estava na casa de minha avó, como se fosse um de seus netos.
Aí eu pensei : "Humm, vai dar merda."
Laélio tava pálido, já imaginando o massacre que sofreríamos.
O jeito foi eu soltar a bicicleta ao chão, ficar de frente para eles e esperar a hora de agir.
Fiz um sinal a Laélio que, entendendo a situação em que nos encontrávamos , também se preparou.
Parece que as palavras de Quinzin, somado à nossa postura, animou mais ainda a turma.
Eles partiram em bloco correndo em nossa direção.
E nós também, sem medo algum, corremos também.
Só que corremos para salvar nossas peles. E, enquanto corríamos eu gritei :
"Quinzin ,seu fdp, voce me paga, seu v..."
Só paramos quando terminou o bairro.
Apesar do pouco fôlego que nos restou, rimos bastante daquela situação hilária, agora nos sentindo mais seguros.
Na manhã seguinte Quinzin levou nossas bicicletas lá em casa.
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