No ano seguinte ao que saí do exército,num domingo, eu estava tranquilamente em casa quando o telefone tocou e minha mãe atendeu.
Me passou o telefone dizendo que era meu amigo Gazolla.
Gazolla vivia em uma cidade à cento e cinquenta quilômetros da minha. e era um dos melhores amigos de farda que eu tive.
Atendi.
Ele ligara para me informar que, pelo aniversário de sua cidade, haveria uma meia-maratona. Para a qual ele já havia feito a minha inscrição.
Achara, à princípio, um bom motivo para que eu o visitasse.
Ora, no quartel eu havia feito parte da equipe de corredores e, embora inesperado, me agradou o "convite". Já que eu continuava a fazer as corridas de rua.
Só que, na semana da prova aconteceu um imprevisto: gripei.
Mas gripei tão forte, que até tosse veio junto.
Ainda assim achei que estava tudo bem. Valeria o passeio, pela visita ao amigo.
Um dia antes da prova apanhei o ônibus, e segui para sua cidade.
Ao chegar lá ele me aguardava com mais cinco amigos... e uma surprêsa.
Um dos caras, ao me ver descer do ônibus, perguntou ao Gazolla: "É este seu amigo corredor que vai competir com o Alex ?".
Alex, ele me contou depois, era um rapaz conhecido na cidade por sempre participar das corridas de rua das redondezas. E que, numa festa dias antes, desafiara o Gazolla, por ele ter acabado de sair do quartel, para a meia-maratona da cidade.
Ao que Gazolla lhe respondeu: "Eu não ganho de voce. Mas, tenho um amigo que voce não consegue acompanhar nem a poeira."
Pronto. Gazolla acabara de me ferrar.
Para piorar, a galera dele havia apostado em mim sem nem mesmo me conhecerem.
Tentei explicar minha péssima condição de saúde mas, não adiantou.
Haviam pôsto dinheiro na aposta, e contavam que eu não os decepcionaria.
Sem ter mais como argumentar, só me restava tentar completar todo o percurso da corrida.
Reforcei os comprimidos anti-gripais, à noite, e dormi cedo.
De manhã me alimentei pouco.
Dei uma boa limpada nas nasais, e fui para a linha de largada.
Eram trezentos e poucos competidores, mas somente um deles me interessava.
Pensei comigo: "Vamos estudar as passadas do caboclo(Alex), e ver aonde vai dar para tentar ultrapassá-lo".
Ou seja, minha tática seria segui-lo à meia distância e, como o meu forte eram as subidas, torcia para que fosse o seu fraco.
Foi dado o tiro de largada, e o tal Alex saiu numa disparada que, apesar de me deixar bem para trás, também me deixou feliz, apesar do Gazolla e seu amigos terem ficados preocupados.
Pois, pela sua arrancada percebi que o coitado não sabia de minha precária condição física, e estava temeroso em perder.
Ele, com certeza, não chegaria à metade da corrida, naquele rítimo. Bastaria eu me manter visível à ele, quando olhasse para trás.
Oito quilômetros à frente avistei uma boa subida. Então, fui me aproximando mais ameaçadoramente.
O infeliz, sem saber que eu fazia das tripas pulmões, para respirar, apertou mais ainda seu passo e, sucumbiu ao excesso de esforço.
Disfarcei meu próprio sacrífício, e fiz a virada da subida. Não antes, é claro, de olhar para trás, e vê-lo desistir.
Entrou em um ônibus, que acompanhava a prova recolhendo os exaustos retardatários.
Passei, então, a desfrutar a corrida, apenas pelo prazer de conhecer e interagir com os outros participantes.
Nada ganhei. Pois, minha classificação foi muito aquém das premiações.
Mas, meu amigo Gazolla, e sua turma, se deram bem na aposta.
Eu fiz muitas novas amizades naquele dia. Pessoas que encontrei em outras corridas depois.
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