" ESTREPOLIA NA EXPOSIÇÃO "

                          Moramos, uma época, em uma cidade onde, todo ano, havia uma exposição agropecuária.
                          Era algo em que eu e meus primos íamos sempre juntos.
                          Bois, cavalos,ovelhas, búfalos... e até bicho da sêda tinha por lá.
                          Mas, o que mais nos atraía eram as delícias que alguns ambulantes vendiam.
                          Uma dessas delícias era a grande cobiça, e sonho, de uma de minhas primas: a "maçã do amor".
                          Não sei dizer se pelo seu nome, sabor ou pela sua cor chamativa.
                          Só sei que ela adorava.
                          E, resolveu comprar uma dessas maçãs.
                          A barraca estava muito tumultuada pelo movimento de  adultos que disputavam uma daquelas guloseimas, tanto para si, quanto para seus filhos.
                          Minha prima tinha nove anos mas aparentava sete, devido ao seu tamanho. E, naquela muvuca de gente, o vendedor apanhou o seu dinheiro, e não lhe deu a tão sonhada maçã.
                          Por mais que ela insistisse de que já lhe havia pago, ele simplesmente a ignorou. E continuou a atender seus outros fregueses.
                          Ela chegou até nós chorando, e nos contou o ocorrido.
                          Ora, nós nunca fomos de recorrer aos nossos pais para resolver nossas pendengas.
                          As resolvíamos nós mesmos. Ao nosso modo.
                          O que sempre nos era mais divertido.
                          Bom, continuando: circulamos entre vários standes da exposição, a procurar o objeto de nossa pequena vingança.
                          Achei então o que procurávamos: um fino fio de nylon, de três metros de comprimento.
                          Retornamos, então, à barraca das maçãs.
                          Ela continuava tumultuada. Como esperávamos.
                          Um de meus primos se aproximou da barraca como se fosse comprar maçã. Então, simulou que suas moedas haviam caído, e se agachou próximo ao pé da bancada.
                          Amarrou uma ponta do fio de nylon em um dos pés da banca, e desenrolou-o à medida que se afastava.
                          Quando os tres metros lhe fizeram a distãcia suficiente, deu a puxada fatal, e saiu em disparada.
                           Às suas costas ficavam, pelo chão, todas as maçãs que se encontravam sobre a bancada.
                           Nossa prima sorria, novamente, satisfeita com o desfecho de nossa vingança.
                           Pensou: " Meus primos são mesmo muito engenhosos ".
                    

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