Eu, e minha esposa, estávamos em um evento social.
Lá encontramos muitos amigos, de longas datas, que à tempos não víamos.
Conversamos com vários deles.
Conversas banais.
Mas, uma conversa que participei apenas como ouvinte, entre minha esposa e uma amiga, e que dizia respeito à relutância de seu pai em ir morar numa "casa de repouso", me ficou gravada na memória.
Ela contou maravilhas sobre o lugar. E disse, também, que não era muito caro.
Que ainda sobraria algum da pensão de seu pai, caso surgisse uma "emergência".
Ah ! Pobre velho. Fiquei triste por ele.
Com certeza, ele não duvidava que na tal "casa de repouso" ele teria muito mais conforto material que na casa de sua filha. Mas, isso não o atraía nem um pouco.
Lhe era muito mais precioso o calor do convivio familiar.
O burburinho, ou mesmo o barulhão do cotidiano do lar. Não importava.
Ver e sentir o carinho, e afeto, daquela filha, hoje mãe de duas lindas crianças. Seus netos.
Ela, que outrora fôra sua filhinha tão graciosa. Seu orgulho. Sua princesinha.
Imaginei a faca que ela lhe havia fincado no peito, quando lhe falou sobre o asilo.
Sei, e disso não duvido, que essa lãmina lhe ficará cravada ao peito. E, quando ele perceber que ao invés de retirá-la, ela lhe entra cada vez mais fundo na carne, à cada dia, ele se calará.
Se deixará conduzir, por aqueles que ama, ao seu derradeiro destino.
Aí, aquela faca lhe enferrujará no peito. E ele irá partir sem nenhum dos seus por perto para lhe segurar a mão neste momento.
A família ainda dirá, aos parentes e amigos presentes no ao seu velório, que, pelo menos ele viveu bem, e feliz, em seus últimos dias.
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