Eu estava sentado em uma sala de consultório médico com minha mãe, e nem sabia o porque da visita.
Ela, por algum motivo, desconfiara de algo com a minha saúde.Mas não me dissera qual era a sua suspeita.
Só sei que ela começou a me cercar de cuidados, e exigir que todas as outras pessoas, adultas ou crianças, não me contrariassem, nem me fizessem passar raiva.
Começou a me olhar com tristeza, e lágrimas nos olhos.
Chegou a nossa vez de sermos atendidos.
Entramos.
O médico nos fez várias perguntas enquanto me examinava.
Ora direcionadas à mim, ora à minha mãe.
Fomos embora, com um monte de exames para eu fazer.
Dias depois, quando lá voltamos, ele deu seu diagnóstico : "Seu filho tem problemas no coração."
Para minha mãe foi muito pior do que dizer que ela possuía uma doença incurável.
Assim como o é para qualquer pai, ou mãe, quando se trata de um filho.
Ela, instintivamente, me abraçou, e chorou.
O médico chegou a lhe dizer que tínhamos que fazer mais alguns exames para verificar a gravidade da situação e, se fosse o caso, intervir.
Minha mãe nunca admitira , sequer imaginar, uma pessoa deitada em uma mesa, sendo aberta como um leitão no açougue.
Melhor que Deus me levasse como, e quando Ele o quizesse.
Este foi o pensamento dela. Porque o meu era muito mais simples, e curto, como imaginava que agora seria minha vida : "Vô morrer, já?"
No princípio eu ficava imaginando, todos os dias logo que acordava, que aquele seria o meu último dia.
Mas isso, só na hora que acordava.
Quando eu saía para a rua para brincar, ou encontrava com meus primos, nem lembrava mais.
Só que , com o correr dos dias eu vi que não morria. E, pior, percebi algo diferente : "eu agora podia tudo. Não apanhava mais. A culpa era sempre dos outros. Eu fazia... sem saber que era errado."
Que legal.
Aí eu virei um pestinha.
Meu erro foi acreditar demais nesta cômoda, pelo menos para mim, situação.
Eu me tornei o" Menino Intocável."
Para mim era como os poderes de um super herói, assim como "Super Man".
Mas, agia como um vilão, um "Dick Vigarista".
Perto da minha mãe minha "invulnerabilidade" funcionou muito bem. Mas, fui passear na casa de minha avó, e levei este comportamento comigo.
Foi o meu erro. Pois, lá havia uma criptonita para anular meu super poder.
Meu tio.
Próximo à casa de minha avó passava um rio. E, eu e meus primos resolvemos tomar um banho nele.
Neste rio havia um lugar onde as mulheres lavavam roupas, e vasilhas, em suas bacias.
Onde, se uma criança quizesse se molhar toda, tinha que deitar dentro dele, para que a água lhe passasse sobre os ombros. Ou seja, a sua "rasosidade" não passava dos trinta centímetros d'água.
Enquanto que, mais abaixo, havia o lugar onde os homens tomavam banho.
Quer dizer, lá eu de pé, a água me cobria com folga .
Como eram muitas crianças, meu tio se prontificou a nos acompanhar.
Chegando no rio ele nos disse que ficaríamos ali mesmo.Onde as mulheres lavavam as roupas e vasilhas.
Meus primos entraram no rio aceitando sua indicação.
Eu, simplesmente ignorei sua ordem, e continuei caminhando.
Ele me segurou pelo braço, e me perguntou aonde eu pensava que estava indo.
Disse-lhe que iria tomar banho na parte dos homens. Pois, eu não era roupa, nem mesmo vasilha para tomar banho ali.
Detalhe : eu não sabia nadar.
Mas, isto era o de menos,o problema é que eu o havia desafiado.
Meus primos ficaram sentados dentro d'água, quietos. Pois, já sabiam o que me aguardava. E eu nem desconfiava.
Depois de debater com meu tio com palavras, palavrinhas e palavrões, ele, quando cheguei à esta última categoria de palavras, não pensou duas vezes : me arrastou para dentro d'água, onde estavam meus primos, me afundou, para que eu ficasse todo molhado, arrancou uma varinha no pé de ingá, que havia à beira do rio, e me marcou pernas, e nádegas, fazendo vários vergões.
Em desespero eu lhe pedia para que parasse, pois eu sofria do coração e poderia morrer.
Mas, dele eu só ouvia uma frase : "Agora voce vai ver como é que se cura coração de moleque malcriado."
E a varinha trabalhou em mim, molhado, por um tempo que me pareceu uma eternidade.
Quando voltei para casa minhas malcriações haviam desaparecido. E, um novo exame comprovou que o meu problema cardíaco também.
Lembrei-me imediatamente de meu tio, e sua bendita "varinha mágica", que me curou.
" NACIB E OS LÔBOS "
Trabalhei uma época no setor alfandegário.
Fazíamos revistas em portos, e aeroportos, à procura de contrabandos para sua contensão e apreensão.
Devido à dimensão das operações que fazíamos, éramos acompanhados pela polícia federal. Pois pertencíamos a um ramo da receita federal.
Ainda existia uma réstia do militarismo no governo. Por isso, todo o cuidado dos cidadãos ao que falar, onde e com quem, era primar pela sua integridade física.
Certo dia foi marcada uma manifestação dos "vermelhos" em frente ao Palácio do Governo, em nossa cidade.
Entendia-se por "vermelhos" todos os partidos de esquerda. Ou seja, todos contrários ao governo atuante.
Havia um rapaz que trabalava conosco, Nacib, que simpatizava, a princípio modestamente mas depois abertamente, com as idéias, e ideais, dos esquerdistas.
À todos eles a polícia federal os classificava de "comunistas".
Só que o Nacib começou a divulgar "suas idéias", na repartição.
Era, mais ou menos , como se uma ovelha entrasse no covil dos lôbos, e os tentasse converter à sua causa clamando,e conclamando todos eles, a saírem pela floresta gritando seu slogan: "TEMOS QUE ACABAR COM OS LÔBOS."
Levamos Nacib a um canto, e lhe dissemos que ali não era um bom lugar para divulgar seus novos ideais, nem agitar sua bandeira.
Naquele momento conseguimos convencê-lo a se calar.
Mas, dias depois ele voltou à carga, divulgando a manifestação que haveria em frente ao Palácio do Governo.
Dessa empreitada não conseguimos demovê-lo. Então, resolvemos alertá-lo sobre os federais, e os policiais civis que se infiltravam nesses movimentos para "mapear" seus simpatizantes.
Ele disse que facilmente saberia identificá-los, e diferenciá-los, dos verdadeiros companheiros militantes.
Então lhe falamos que isso seria como tentar identificar, em um mesmo copo, o café e o leite. Após misturados se confundem cores e sabores.
No dia da manifestação, Nacib estava lá.
Não foi ao trabalho.
Foi com uma roupa comum.
Nada o caracterizava como um membro daquela trupe.
Mas, em certa altura da manifestação das idéias e dos ideais, proclamados pela maioria, foi envolvido. E, sem que percebesse, o entusiasmo tomou-lhe conta do corpo e de sua alma.
Um "companheiro" lhe colocou uma bandeira à mão, e o incentivou a gritar palavras de ordem, contra a situação.
No dia seguinte Nacib não apareceu na repartição.
Não voltara para casa, após a manifestação.
Seus pais, parentes e amigos, logo imaginaram o pior.
Após onze dias, quando reapareceu, Nacib já não era o mesmo entusiasta de antes.
Trazia consigo, ematomas no rosto, costelas e rins.
Nada nos disse.
Aparentemente, abandonara a causa.
Soubemos mais tarde, por fonte segura, que, o "companheiro" que lhe havia posto a bandeira à mão, e o incentivado a gritar palavras de ordem era, na verdade, um infiltrado que trabalhava três andares acima do nosso, no sétimo andar.
Fazíamos revistas em portos, e aeroportos, à procura de contrabandos para sua contensão e apreensão.
Devido à dimensão das operações que fazíamos, éramos acompanhados pela polícia federal. Pois pertencíamos a um ramo da receita federal.
Ainda existia uma réstia do militarismo no governo. Por isso, todo o cuidado dos cidadãos ao que falar, onde e com quem, era primar pela sua integridade física.
Certo dia foi marcada uma manifestação dos "vermelhos" em frente ao Palácio do Governo, em nossa cidade.
Entendia-se por "vermelhos" todos os partidos de esquerda. Ou seja, todos contrários ao governo atuante.
Havia um rapaz que trabalava conosco, Nacib, que simpatizava, a princípio modestamente mas depois abertamente, com as idéias, e ideais, dos esquerdistas.
À todos eles a polícia federal os classificava de "comunistas".
Só que o Nacib começou a divulgar "suas idéias", na repartição.
Era, mais ou menos , como se uma ovelha entrasse no covil dos lôbos, e os tentasse converter à sua causa clamando,e conclamando todos eles, a saírem pela floresta gritando seu slogan: "TEMOS QUE ACABAR COM OS LÔBOS."
Levamos Nacib a um canto, e lhe dissemos que ali não era um bom lugar para divulgar seus novos ideais, nem agitar sua bandeira.
Naquele momento conseguimos convencê-lo a se calar.
Mas, dias depois ele voltou à carga, divulgando a manifestação que haveria em frente ao Palácio do Governo.
Dessa empreitada não conseguimos demovê-lo. Então, resolvemos alertá-lo sobre os federais, e os policiais civis que se infiltravam nesses movimentos para "mapear" seus simpatizantes.
Ele disse que facilmente saberia identificá-los, e diferenciá-los, dos verdadeiros companheiros militantes.
Então lhe falamos que isso seria como tentar identificar, em um mesmo copo, o café e o leite. Após misturados se confundem cores e sabores.
No dia da manifestação, Nacib estava lá.
Não foi ao trabalho.
Foi com uma roupa comum.
Nada o caracterizava como um membro daquela trupe.
Mas, em certa altura da manifestação das idéias e dos ideais, proclamados pela maioria, foi envolvido. E, sem que percebesse, o entusiasmo tomou-lhe conta do corpo e de sua alma.
Um "companheiro" lhe colocou uma bandeira à mão, e o incentivou a gritar palavras de ordem, contra a situação.
No dia seguinte Nacib não apareceu na repartição.
Não voltara para casa, após a manifestação.
Seus pais, parentes e amigos, logo imaginaram o pior.
Após onze dias, quando reapareceu, Nacib já não era o mesmo entusiasta de antes.
Trazia consigo, ematomas no rosto, costelas e rins.
Nada nos disse.
Aparentemente, abandonara a causa.
Soubemos mais tarde, por fonte segura, que, o "companheiro" que lhe havia posto a bandeira à mão, e o incentivado a gritar palavras de ordem era, na verdade, um infiltrado que trabalhava três andares acima do nosso, no sétimo andar.
" UMA JANELA NÃO É UMA PORTA "
Nos relacionamentos humanos, qualquer que seja o tipo de relacionamento que se tenha, as pessoas abrem, de si e em si, de tempos em tempos, pequenas janelas para que sejam vistas. Conhecidas. Percebidas.
Janelas, não portas por onde há o perigo de serem invadidas.
Se precisam de ajuda, um conselho, ou simplesmente serem ouvidas, abrem-nas em pequenas frestas.
Quando vai se consolidando a amizade, a confiança, estas pequenas frestas se abrem um pouquinho mais...e mais.
A partir daí, outras janelas se abrirão, sempre que se fizerem necessárias.
Mas, devemos tomar cuidado para não forçarmos estas aberturas com nossas própias "mãos".
Apenas o "dono da casa" poderá ampliá-la, até que ela se encontre totalmente aberta.
Pois, com qualquer movimento brusco, duvidoso, alheio, ou suspeito de nossa parte, ela se fechará, imediatamente e para sempre.
Somos convidados, ou convidamos as pessoas a nos conhecerem através, apenas, de janelas que abrimos, ou nos são abertas.
Uma janela não é uma porta.
Podemos através delas, ouvir, observar, opinar.
Nunca entrar na vida das pessoas.
Sermos invasores..., ou nos deixar invadir.
Janelas, não portas por onde há o perigo de serem invadidas.
Se precisam de ajuda, um conselho, ou simplesmente serem ouvidas, abrem-nas em pequenas frestas.
Quando vai se consolidando a amizade, a confiança, estas pequenas frestas se abrem um pouquinho mais...e mais.
A partir daí, outras janelas se abrirão, sempre que se fizerem necessárias.
Mas, devemos tomar cuidado para não forçarmos estas aberturas com nossas própias "mãos".
Apenas o "dono da casa" poderá ampliá-la, até que ela se encontre totalmente aberta.
Pois, com qualquer movimento brusco, duvidoso, alheio, ou suspeito de nossa parte, ela se fechará, imediatamente e para sempre.
Somos convidados, ou convidamos as pessoas a nos conhecerem através, apenas, de janelas que abrimos, ou nos são abertas.
Uma janela não é uma porta.
Podemos através delas, ouvir, observar, opinar.
Nunca entrar na vida das pessoas.
Sermos invasores..., ou nos deixar invadir.
" A TÁTICA DAS QUATRO PIPAS "
Os balões sempre me fascinaram.
De dia, por seus diversos coloridos pintando o céu. Alegrando os ares.
À noite, ao iluminar o negrume com suas buchas ascesas.
O Bairro Santo antônio, nos dias dedicados ao padroeiro, era de onde mais os víamos surgir.
Era um bairro que ficava frente ao nosso. Porém, do outro lado do braço de mar que os dividia.
Além dos balões, aqueles eram dias de muitas pipas no ar.
Os meninos do bairro usavam cerol e, como lá em casa éramos proibidos de fabricá-lo, nossas pipas eram facilmente "cortadas" pelas outras.
Foi por este motivo que criamos a "Tática das Quatro Pipas".
Ela funcionava da seguinte forma :
Eu e meus irmãos fazíamos quatro pípas, lógico.
Uma delas bonita, de papel de sêda. Esta seria a nossa "pipa de corte".
As outras três de papel pobre. Podia ser de papel de pão, de embrulhar tecido, de jornal, de folha fina do caderno de desenho, não importava.
A que era de papel de sêda, dávamos para um amigo soltar da laje de sua casa.
Era essencial que a sua linha possuísse cerol.
As outras tres, as pipas pobres, nós mesmos as empinávamos de nossa laje. Mas, todas as quatro tinham que estar no ar simultaneamente.
Como eu disse, não usávamos cerol, mas usávamos linha dez,que é uma linha mais forte, ou nylon fino.
Se uma pipa feia desafiasse a do nosso amigo, no caso anossa de sêda, ele fugia ao embate. Mas, se ele fosse desafiado por uma pipa mais bonita, ou uma que estava cortando mais pipas no ar, então entrávamos os tres na disputa.
Escolhíamos um ponto da linha da pipa invasora, e começavamos a miná-lo. Quer dizer, atacávamos um espaço de vinte metros de sua linha, de preferência onde ela formava uma "barriga" no ar, para eliminar seu cerol.
Geralmente perdíamos algumas dessas "pipas de combates".
Quando percebíamos que ele pretendia baixar sua pipa, para reforçar o cerol naquele ponto que fragilizamos, nosso amigo o atacava, no mesmo ponto, e o cortava.
Neste momento um de nós, geralmente eu, corria acompanhando a sua trajetória de queda, a recolhia e a levava para casa.
Estas que "conquistávamos" se tornaria, futuramente, numa eventual necessidade, a nossa nova "pipa de corte", quando perdêssemos a nossa de sêda.
De dia, por seus diversos coloridos pintando o céu. Alegrando os ares.
À noite, ao iluminar o negrume com suas buchas ascesas.
O Bairro Santo antônio, nos dias dedicados ao padroeiro, era de onde mais os víamos surgir.
Era um bairro que ficava frente ao nosso. Porém, do outro lado do braço de mar que os dividia.
Além dos balões, aqueles eram dias de muitas pipas no ar.
Os meninos do bairro usavam cerol e, como lá em casa éramos proibidos de fabricá-lo, nossas pipas eram facilmente "cortadas" pelas outras.
Foi por este motivo que criamos a "Tática das Quatro Pipas".
Ela funcionava da seguinte forma :
Eu e meus irmãos fazíamos quatro pípas, lógico.
Uma delas bonita, de papel de sêda. Esta seria a nossa "pipa de corte".
As outras três de papel pobre. Podia ser de papel de pão, de embrulhar tecido, de jornal, de folha fina do caderno de desenho, não importava.
A que era de papel de sêda, dávamos para um amigo soltar da laje de sua casa.
Era essencial que a sua linha possuísse cerol.
As outras tres, as pipas pobres, nós mesmos as empinávamos de nossa laje. Mas, todas as quatro tinham que estar no ar simultaneamente.
Como eu disse, não usávamos cerol, mas usávamos linha dez,que é uma linha mais forte, ou nylon fino.
Se uma pipa feia desafiasse a do nosso amigo, no caso anossa de sêda, ele fugia ao embate. Mas, se ele fosse desafiado por uma pipa mais bonita, ou uma que estava cortando mais pipas no ar, então entrávamos os tres na disputa.
Escolhíamos um ponto da linha da pipa invasora, e começavamos a miná-lo. Quer dizer, atacávamos um espaço de vinte metros de sua linha, de preferência onde ela formava uma "barriga" no ar, para eliminar seu cerol.
Geralmente perdíamos algumas dessas "pipas de combates".
Quando percebíamos que ele pretendia baixar sua pipa, para reforçar o cerol naquele ponto que fragilizamos, nosso amigo o atacava, no mesmo ponto, e o cortava.
Neste momento um de nós, geralmente eu, corria acompanhando a sua trajetória de queda, a recolhia e a levava para casa.
Estas que "conquistávamos" se tornaria, futuramente, numa eventual necessidade, a nossa nova "pipa de corte", quando perdêssemos a nossa de sêda.
" UMA CACHORRINHA CHAMADA PURURUCA "
Morei em uma república com mais cinco rapazes.
Tínhamos todos o mesmo tipo de serviço.E, durante algum tempo, pertencíamos à mesma letra na escala. Ou seja, folgávamos no mesmo dia da semana.
Como era escala, a nossa folga variava nos dias da semana.
Por este motivo não me lembro como começou. Mas, todas as vezes que saíamos de serviço na sexta-feira, folgando sábado e domingo, promovíamos uma luta de vale-quase-tudo, na sala da república.
A regra consistia em não morder, não socar o rosto, e nem dar golpes baixos.
Que os hematomas nos ficassem em regões escondidas das vistas.
Este vale-quase-tudo servia para desestressar.
Só que houve uma semana em que nem o nosso vale-quase-tudo republicano não conseguiu desestressar dois de meus companheiros : o Tavares e o Rocha.
Nesses dias em que os dois estavam "bicudos" entre si, o Rocha foi fazer um extra no serviço.
O Tavares viu aí uma chance de atingir o Rocha. E me envolveu, "inocentemente", nessa história.
Eu tinha uma "bateia" e, de vez em quando, dava uma garimpada no rio.
O Tavares foi e me convidou para garimparmos, naquela manhã.
Óbvio que eu aceitei.
Aí, na hora em que saíamos ele disse : "Vem Pururuca, vem. Vamo passeá, vamo."
Pururuca era uma cachorrinha vira-lata que o Rocha criava como se fosse uma irmãzinha.
Tinha o maior amor e carinho pelo animal.
Ora, a Pururuca era muito acostumada com todos nós. E, na sua "inteligência canina", um passeio era muito melhor do que ficar correndo atrás de pneu de carro na rua.
Abanou o rabinho e foi, toda feliz, nos acompanhando.
Teríamos que caminhar uns três quilômetros para chegar ao nosso destino e, como havia chovido bastante à noite, haviam muitas poças dágua e barro.
Agora tente somar : poças dágua + barro + a coitada da Pururuca, e voce vai começar a vislumbrar a vingança do Tavares contra o Rocha.
Cinco metros antes de cada poça, o Tavares pegava a pobre da cachorrinha nas mãos, a arremessava em direção à poça, e falava : "Piscina, Pururuca. Piscina."
Depois, explodia numa sonora gargalhada, enquanto a coitada, após um vôo desengonçado, aterrizava na poça à frente.
Repetiu o ato várias vezes, na ída e na volta. No máximo de poças que pôde.
Ao fim da jornada a infeliz já não andava mais de tão cansada.
Cheguei com ela ao colo, na república.
Quando o Rocha retornou do serviço, chegou na república chamando por sua amiga, que dessa vez não foi recebê-lo ao portão.
Por mais que o Rocha, como era seu costume, chamasse:"Pururuca. Pururuca, cheguei. Vem Pururuca, vem.", a sua Pururuquinha não apareceu.
Devido à canseira da aventura da tarde ela só acordou de seu desmaio no dia seguinte.
O Rocha mexeu em suas patas, orelhas e focinho e a coitada não esboçou nenhuma reação.
O Rocha, naquele dia, ficou sem entender o que acontecera com a sua, tão estimada, Pururuquinha.
Tínhamos todos o mesmo tipo de serviço.E, durante algum tempo, pertencíamos à mesma letra na escala. Ou seja, folgávamos no mesmo dia da semana.
Como era escala, a nossa folga variava nos dias da semana.
Por este motivo não me lembro como começou. Mas, todas as vezes que saíamos de serviço na sexta-feira, folgando sábado e domingo, promovíamos uma luta de vale-quase-tudo, na sala da república.
A regra consistia em não morder, não socar o rosto, e nem dar golpes baixos.
Que os hematomas nos ficassem em regões escondidas das vistas.
Este vale-quase-tudo servia para desestressar.
Só que houve uma semana em que nem o nosso vale-quase-tudo republicano não conseguiu desestressar dois de meus companheiros : o Tavares e o Rocha.
Nesses dias em que os dois estavam "bicudos" entre si, o Rocha foi fazer um extra no serviço.
O Tavares viu aí uma chance de atingir o Rocha. E me envolveu, "inocentemente", nessa história.
Eu tinha uma "bateia" e, de vez em quando, dava uma garimpada no rio.
O Tavares foi e me convidou para garimparmos, naquela manhã.
Óbvio que eu aceitei.
Aí, na hora em que saíamos ele disse : "Vem Pururuca, vem. Vamo passeá, vamo."
Pururuca era uma cachorrinha vira-lata que o Rocha criava como se fosse uma irmãzinha.
Tinha o maior amor e carinho pelo animal.
Ora, a Pururuca era muito acostumada com todos nós. E, na sua "inteligência canina", um passeio era muito melhor do que ficar correndo atrás de pneu de carro na rua.
Abanou o rabinho e foi, toda feliz, nos acompanhando.
Teríamos que caminhar uns três quilômetros para chegar ao nosso destino e, como havia chovido bastante à noite, haviam muitas poças dágua e barro.
Agora tente somar : poças dágua + barro + a coitada da Pururuca, e voce vai começar a vislumbrar a vingança do Tavares contra o Rocha.
Cinco metros antes de cada poça, o Tavares pegava a pobre da cachorrinha nas mãos, a arremessava em direção à poça, e falava : "Piscina, Pururuca. Piscina."
Depois, explodia numa sonora gargalhada, enquanto a coitada, após um vôo desengonçado, aterrizava na poça à frente.
Repetiu o ato várias vezes, na ída e na volta. No máximo de poças que pôde.
Ao fim da jornada a infeliz já não andava mais de tão cansada.
Cheguei com ela ao colo, na república.
Quando o Rocha retornou do serviço, chegou na república chamando por sua amiga, que dessa vez não foi recebê-lo ao portão.
Por mais que o Rocha, como era seu costume, chamasse:"Pururuca. Pururuca, cheguei. Vem Pururuca, vem.", a sua Pururuquinha não apareceu.
Devido à canseira da aventura da tarde ela só acordou de seu desmaio no dia seguinte.
O Rocha mexeu em suas patas, orelhas e focinho e a coitada não esboçou nenhuma reação.
O Rocha, naquele dia, ficou sem entender o que acontecera com a sua, tão estimada, Pururuquinha.
" A RODOVIÁRIA "
É fim de ano
As férias escolares começaram.
E, por ter ido bem na escola ganhei uma viagem para uma cidade que escolhesse no Estado.
Por isso aproximei-me do balcão de bilhetes, na rodoviária, escolhi um destino e comprei minha passagem.
Era grande o movimento de pessoas ao balcão. Então,entre empurrões e pedidos de " com licença ", fui anbrindo meu caminho entre aquela multidão.
Consegui me desvencilhar daquela área tumultuada, e me dirigi a uma cadeira que estava sendo desocupada, naquele instante, por um rapaz cujo ônibus chegara.
Sentei-me, sentindo um certo alívio por não ter que aguardar de pé, sentado às muretas dos canteiros ou ao chão, como várias pessoas já estavam fazendo.
De meu lugar, que ficava mais a um canto,eu podia observar grande parte da área de circulação das pessoas, e a plataforma onde meu ônibus encostaria.
Era um bom lugar, já que me restava uma boa hora e meia de espera. E eu, de vez em quando gosto de ficar quieto, a um canto, observando tudo que possa me ser interessante.
Para passar o tempo resolvi observar as pessoas.
É interessante voce perceber os andares diferentes. Os tipos de roupas que vestem. Seus jeitos e trejeitos. E tudo que nos diversifica uns dos outros
Me concentrei em analizar as várias expressões de seus rostos, tentando adivinhar-lhes os respectivos motivos
Acabei fazendo uma " viagem " antes de minha viagem.
" Vi expressões de tristezas,
E de alegrias.
De desesperos...
Outras de agonias.
Vi expressões, variadas,
De quem chegava...
E de quem partia.
Assim, fui compondo este poema
Sobre a rodoviária...
. E o seu dia a dia."
Me perdoem, mas tenho que terminar. Meu ônibus acaba de encostar na plataforma.
Tchau !
Até outro dia.
As férias escolares começaram.
E, por ter ido bem na escola ganhei uma viagem para uma cidade que escolhesse no Estado.
Por isso aproximei-me do balcão de bilhetes, na rodoviária, escolhi um destino e comprei minha passagem.
Era grande o movimento de pessoas ao balcão. Então,entre empurrões e pedidos de " com licença ", fui anbrindo meu caminho entre aquela multidão.
Consegui me desvencilhar daquela área tumultuada, e me dirigi a uma cadeira que estava sendo desocupada, naquele instante, por um rapaz cujo ônibus chegara.
Sentei-me, sentindo um certo alívio por não ter que aguardar de pé, sentado às muretas dos canteiros ou ao chão, como várias pessoas já estavam fazendo.
De meu lugar, que ficava mais a um canto,eu podia observar grande parte da área de circulação das pessoas, e a plataforma onde meu ônibus encostaria.
Era um bom lugar, já que me restava uma boa hora e meia de espera. E eu, de vez em quando gosto de ficar quieto, a um canto, observando tudo que possa me ser interessante.
Para passar o tempo resolvi observar as pessoas.
É interessante voce perceber os andares diferentes. Os tipos de roupas que vestem. Seus jeitos e trejeitos. E tudo que nos diversifica uns dos outros
Me concentrei em analizar as várias expressões de seus rostos, tentando adivinhar-lhes os respectivos motivos
Acabei fazendo uma " viagem " antes de minha viagem.
" Vi expressões de tristezas,
E de alegrias.
De desesperos...
Outras de agonias.
Vi expressões, variadas,
De quem chegava...
E de quem partia.
Assim, fui compondo este poema
Sobre a rodoviária...
. E o seu dia a dia."
Me perdoem, mas tenho que terminar. Meu ônibus acaba de encostar na plataforma.
Tchau !
Até outro dia.
" ESTREPOLIA NA EXPOSIÇÃO "
Moramos, uma época, em uma cidade onde, todo ano, havia uma exposição agropecuária.
Era algo em que eu e meus primos íamos sempre juntos.
Bois, cavalos,ovelhas, búfalos... e até bicho da sêda tinha por lá.
Mas, o que mais nos atraía eram as delícias que alguns ambulantes vendiam.
Uma dessas delícias era a grande cobiça, e sonho, de uma de minhas primas: a "maçã do amor".
Não sei dizer se pelo seu nome, sabor ou pela sua cor chamativa.
Só sei que ela adorava.
E, resolveu comprar uma dessas maçãs.
A barraca estava muito tumultuada pelo movimento de adultos que disputavam uma daquelas guloseimas, tanto para si, quanto para seus filhos.
Minha prima tinha nove anos mas aparentava sete, devido ao seu tamanho. E, naquela muvuca de gente, o vendedor apanhou o seu dinheiro, e não lhe deu a tão sonhada maçã.
Por mais que ela insistisse de que já lhe havia pago, ele simplesmente a ignorou. E continuou a atender seus outros fregueses.
Ela chegou até nós chorando, e nos contou o ocorrido.
Ora, nós nunca fomos de recorrer aos nossos pais para resolver nossas pendengas.
As resolvíamos nós mesmos. Ao nosso modo.
O que sempre nos era mais divertido.
Bom, continuando: circulamos entre vários standes da exposição, a procurar o objeto de nossa pequena vingança.
Achei então o que procurávamos: um fino fio de nylon, de três metros de comprimento.
Retornamos, então, à barraca das maçãs.
Ela continuava tumultuada. Como esperávamos.
Um de meus primos se aproximou da barraca como se fosse comprar maçã. Então, simulou que suas moedas haviam caído, e se agachou próximo ao pé da bancada.
Amarrou uma ponta do fio de nylon em um dos pés da banca, e desenrolou-o à medida que se afastava.
Quando os tres metros lhe fizeram a distãcia suficiente, deu a puxada fatal, e saiu em disparada.
Às suas costas ficavam, pelo chão, todas as maçãs que se encontravam sobre a bancada.
Nossa prima sorria, novamente, satisfeita com o desfecho de nossa vingança.
Pensou: " Meus primos são mesmo muito engenhosos ".
Era algo em que eu e meus primos íamos sempre juntos.
Bois, cavalos,ovelhas, búfalos... e até bicho da sêda tinha por lá.
Mas, o que mais nos atraía eram as delícias que alguns ambulantes vendiam.
Uma dessas delícias era a grande cobiça, e sonho, de uma de minhas primas: a "maçã do amor".
Não sei dizer se pelo seu nome, sabor ou pela sua cor chamativa.
Só sei que ela adorava.
E, resolveu comprar uma dessas maçãs.
A barraca estava muito tumultuada pelo movimento de adultos que disputavam uma daquelas guloseimas, tanto para si, quanto para seus filhos.
Minha prima tinha nove anos mas aparentava sete, devido ao seu tamanho. E, naquela muvuca de gente, o vendedor apanhou o seu dinheiro, e não lhe deu a tão sonhada maçã.
Por mais que ela insistisse de que já lhe havia pago, ele simplesmente a ignorou. E continuou a atender seus outros fregueses.
Ela chegou até nós chorando, e nos contou o ocorrido.
Ora, nós nunca fomos de recorrer aos nossos pais para resolver nossas pendengas.
As resolvíamos nós mesmos. Ao nosso modo.
O que sempre nos era mais divertido.
Bom, continuando: circulamos entre vários standes da exposição, a procurar o objeto de nossa pequena vingança.
Achei então o que procurávamos: um fino fio de nylon, de três metros de comprimento.
Retornamos, então, à barraca das maçãs.
Ela continuava tumultuada. Como esperávamos.
Um de meus primos se aproximou da barraca como se fosse comprar maçã. Então, simulou que suas moedas haviam caído, e se agachou próximo ao pé da bancada.
Amarrou uma ponta do fio de nylon em um dos pés da banca, e desenrolou-o à medida que se afastava.
Quando os tres metros lhe fizeram a distãcia suficiente, deu a puxada fatal, e saiu em disparada.
Às suas costas ficavam, pelo chão, todas as maçãs que se encontravam sobre a bancada.
Nossa prima sorria, novamente, satisfeita com o desfecho de nossa vingança.
Pensou: " Meus primos são mesmo muito engenhosos ".
" CORTE NA CARNE, FERIDA NA ALMA "
Eu, e minha esposa, estávamos em um evento social.
Lá encontramos muitos amigos, de longas datas, que à tempos não víamos.
Conversamos com vários deles.
Conversas banais.
Mas, uma conversa que participei apenas como ouvinte, entre minha esposa e uma amiga, e que dizia respeito à relutância de seu pai em ir morar numa "casa de repouso", me ficou gravada na memória.
Ela contou maravilhas sobre o lugar. E disse, também, que não era muito caro.
Que ainda sobraria algum da pensão de seu pai, caso surgisse uma "emergência".
Ah ! Pobre velho. Fiquei triste por ele.
Com certeza, ele não duvidava que na tal "casa de repouso" ele teria muito mais conforto material que na casa de sua filha. Mas, isso não o atraía nem um pouco.
Lhe era muito mais precioso o calor do convivio familiar.
O burburinho, ou mesmo o barulhão do cotidiano do lar. Não importava.
Ver e sentir o carinho, e afeto, daquela filha, hoje mãe de duas lindas crianças. Seus netos.
Ela, que outrora fôra sua filhinha tão graciosa. Seu orgulho. Sua princesinha.
Imaginei a faca que ela lhe havia fincado no peito, quando lhe falou sobre o asilo.
Sei, e disso não duvido, que essa lãmina lhe ficará cravada ao peito. E, quando ele perceber que ao invés de retirá-la, ela lhe entra cada vez mais fundo na carne, à cada dia, ele se calará.
Se deixará conduzir, por aqueles que ama, ao seu derradeiro destino.
Aí, aquela faca lhe enferrujará no peito. E ele irá partir sem nenhum dos seus por perto para lhe segurar a mão neste momento.
A família ainda dirá, aos parentes e amigos presentes no ao seu velório, que, pelo menos ele viveu bem, e feliz, em seus últimos dias.
Lá encontramos muitos amigos, de longas datas, que à tempos não víamos.
Conversamos com vários deles.
Conversas banais.
Mas, uma conversa que participei apenas como ouvinte, entre minha esposa e uma amiga, e que dizia respeito à relutância de seu pai em ir morar numa "casa de repouso", me ficou gravada na memória.
Ela contou maravilhas sobre o lugar. E disse, também, que não era muito caro.
Que ainda sobraria algum da pensão de seu pai, caso surgisse uma "emergência".
Ah ! Pobre velho. Fiquei triste por ele.
Com certeza, ele não duvidava que na tal "casa de repouso" ele teria muito mais conforto material que na casa de sua filha. Mas, isso não o atraía nem um pouco.
Lhe era muito mais precioso o calor do convivio familiar.
O burburinho, ou mesmo o barulhão do cotidiano do lar. Não importava.
Ver e sentir o carinho, e afeto, daquela filha, hoje mãe de duas lindas crianças. Seus netos.
Ela, que outrora fôra sua filhinha tão graciosa. Seu orgulho. Sua princesinha.
Imaginei a faca que ela lhe havia fincado no peito, quando lhe falou sobre o asilo.
Sei, e disso não duvido, que essa lãmina lhe ficará cravada ao peito. E, quando ele perceber que ao invés de retirá-la, ela lhe entra cada vez mais fundo na carne, à cada dia, ele se calará.
Se deixará conduzir, por aqueles que ama, ao seu derradeiro destino.
Aí, aquela faca lhe enferrujará no peito. E ele irá partir sem nenhum dos seus por perto para lhe segurar a mão neste momento.
A família ainda dirá, aos parentes e amigos presentes no ao seu velório, que, pelo menos ele viveu bem, e feliz, em seus últimos dias.
" A ASSOMBRAÇÃO "
Havia, a algum tempo atrás, um trem de passageiros que circulava à noite.
Era um horário de que eu gostava muito. Pois, a madrugada sempre teve uma certa magia para mim.
Certa vez, eu estava em uma estaçãozinha do interior de Minas, e junto comigo somente outras tres pessoas, a esperar pelo trem.
Era madrugada.
A neblina, densa, invadia toda a plataforma, envolvendo completamente a pequena estação...,e à nós.
A friagem daquela noite de inverno tornava o ambiente um tanto quanto sinistro.
A cidade desaparecera no breu da noite, e na brancura, intransponível, daquele clima.
Como os cenários dos filmes de Sherlok, pelos guetos de Londres, à procurar Jack.
Derrepente..., pisadas na escuridão.
Mas, era um pisar, e um caminhar, diferentes de qualquer som que já houvéssemos escutado.
Estávamos um pouco distantes uns dos outros e, instintivamente, e confesso que disfarçadamente, nos aproximamos um pouco mais uns dos outros.
Digo que não por medo. Por precaução.
Toda a nossa atenção, e olhares, se dirigiram em direção de onde vinha aquele estranho som.
Nossos pêlos se erriçaram.
Nossos corações palpitaram mais forte no peito.
Ansiávamos, agora ainda mais, que o trem chegasse e nos recolhesse à segurança de seus vagões.
Apesar do frio, uma fina lâmina de suor umidecia nossas têmporas.
O estranho som ficava cada vez mais forte. Mais próximo.
Vislumbramos, na densa neblina, uma silhueta larga, e com uns tres metros de altura, se aproximar de nós pela parte de trás da estação.
Agora nosso pensamento, e desejo, corriam por um só penssamento: "Onde está este bendito trem que não chega antes dessa assombração?"
Pois é, a essa altura nossas mentes já buscavam, no além, a explicação para aquela situação atípica.
Já nossos corpos dividiam, neste momento, o mesmo metro quadrado da plataforma.
Como a plataforma encolhera tanto?
Foi quando ouvimos o som, glorioso, do apito do trem, que se aproximava. E, simultaneamente, uma voz vinda do meio da neblina nos disse: "Boa noite, minha gente".
A nossa "assombração", nada mais era que "seu" Chico do correio que vinha buscar as cartas, e encomendas, do trem da madrugada em sua carroça.
Devido ao frio da noite, ele havia vestido um gibão e, sobre o dorso de sua mula pusera um manto. Em suas pernas, até ao chegar às patas, amarrara palhas para mantê-la aquecida.O que fazia o som do casco do animal se misturar ao da palha se arrastando ao chão. Produzindo aquele estranho, e sinistro som.
Ufa!!!
Era um horário de que eu gostava muito. Pois, a madrugada sempre teve uma certa magia para mim.
Certa vez, eu estava em uma estaçãozinha do interior de Minas, e junto comigo somente outras tres pessoas, a esperar pelo trem.
Era madrugada.
A neblina, densa, invadia toda a plataforma, envolvendo completamente a pequena estação...,e à nós.
A friagem daquela noite de inverno tornava o ambiente um tanto quanto sinistro.
A cidade desaparecera no breu da noite, e na brancura, intransponível, daquele clima.
Como os cenários dos filmes de Sherlok, pelos guetos de Londres, à procurar Jack.
Derrepente..., pisadas na escuridão.
Mas, era um pisar, e um caminhar, diferentes de qualquer som que já houvéssemos escutado.
Estávamos um pouco distantes uns dos outros e, instintivamente, e confesso que disfarçadamente, nos aproximamos um pouco mais uns dos outros.
Digo que não por medo. Por precaução.
Toda a nossa atenção, e olhares, se dirigiram em direção de onde vinha aquele estranho som.
Nossos pêlos se erriçaram.
Nossos corações palpitaram mais forte no peito.
Ansiávamos, agora ainda mais, que o trem chegasse e nos recolhesse à segurança de seus vagões.
Apesar do frio, uma fina lâmina de suor umidecia nossas têmporas.
O estranho som ficava cada vez mais forte. Mais próximo.
Vislumbramos, na densa neblina, uma silhueta larga, e com uns tres metros de altura, se aproximar de nós pela parte de trás da estação.
Agora nosso pensamento, e desejo, corriam por um só penssamento: "Onde está este bendito trem que não chega antes dessa assombração?"
Pois é, a essa altura nossas mentes já buscavam, no além, a explicação para aquela situação atípica.
Já nossos corpos dividiam, neste momento, o mesmo metro quadrado da plataforma.
Como a plataforma encolhera tanto?
Foi quando ouvimos o som, glorioso, do apito do trem, que se aproximava. E, simultaneamente, uma voz vinda do meio da neblina nos disse: "Boa noite, minha gente".
A nossa "assombração", nada mais era que "seu" Chico do correio que vinha buscar as cartas, e encomendas, do trem da madrugada em sua carroça.
Devido ao frio da noite, ele havia vestido um gibão e, sobre o dorso de sua mula pusera um manto. Em suas pernas, até ao chegar às patas, amarrara palhas para mantê-la aquecida.O que fazia o som do casco do animal se misturar ao da palha se arrastando ao chão. Produzindo aquele estranho, e sinistro som.
Ufa!!!
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