" PARAR PRA QUÊ ? "

                        Minha mãe havia conseguido o primeiro emprego para o meu irmão. No qual ele acabaria ficando por vinte e dois anos.
                        Era em uma fábrica que estava se instalando em nosso Estado.
                        Sua localização era em uma área desabitada, em outro município, à setenta e dois quilômetros de onde morávamos.
                        Por necessidade, do empreedimento, foi construído, no meio do nada, um alojamento para seus primeiros funcionários.
                        Foi lá que meu irmão passou a morar, e ia nos visitar à cada quinze dias.
                        Foi em uma dessas suas vindas, em nossa casa, que se deu o fato que conto.
                        Meu irmão chegou do trabalho, de manhã, no alojamento, e preparou sua bolsa de nylon, para viagem, com suas melhores roupas-de-fim-de-semana.
                        Tudo muito bem acondicionado, prendeu a bolsa ao bagageiro de sua moto, recém adquirida, com os elásticos.
                        Pegou a estrada para viajem, que consistia em ciquenta quilômetros de terra, e mais uns vinte e dois de asfalto.
                        Para "sorte" do meu irmão, chovia bastante e, a estrada estava que era só barro.
                        Percorridos uns vinte quilômetros naquele terreno "maravilhoso", passa por ele um veículo, e o motorista lhe grita algo, apontando para a trazeira de sua moto.
                        Sem pensar em parar, pois já estava totalmente encharcado por aquele "dilúvio", e só pensava em chegar logo ao asfalto, e em casa, vira a cabeça olhando para baixo, em direção à roda trazeira de sua moto, imaginando o que poderia ser, já  que tudo lhe parecia normal.
                        Como não observa nada de anormal; parar pra quê? Prossegue, então, sua viagem.
                        Alguns quilômetros à frente, um segundo veículo, ao passar por ele lhe faz o mesmo sinal que o primeiro, apontando, também, para a trazeira de sua moto. E como o outro, lhe grita algo.
                        Sem conseguir novamente entender, devido à chuva e ao capacete que, além de lhe dificultarem a audição, lhe obstruiam o entendimento e raciocínio lógico, faz um sinal de agradecimento ao motorista.
                         Mas, mais uma vez opta por não parar.
                         Observa, ainda em movimento, a roda traseira de sua moto. Mas, dessa vez faz mais, levanta a bunda do acento e o observa também.
                         Mesmo resultado da primeira vez.
                         Não há nada de anormal com sua moto.
                         Prossegue então seu caminho, pensando: "Mas que p... esses caras tanto apontam? Ah, tá tudo normal. F..., parar pra quê?
                         Agora só lhe faltam uns quatro quilômetros de estrada de chão. Beleza.
                         Porém, um terceiro veículo passa por ele e repete o mesmo gesto, e mesmas incompreessíveis palavras, que os dois anteriores.
                         Ele então resolve, finalmente, parar e, apesar da forte chuva que ainda cai, ver se acha o que tanto lhe avisam.
                         Assim que pára, e desce de sua moto para verificar,descobre que sua sacola de viagem,tão cuidadosamente arrumada com suas melhores roupas-de-fim-de-semana, havia caído e ficado presa, somente pelo gancho do elástico numa extremidade à moto. Enquanto era arrastada pelas poças e lamas da estrada.
                         Ao chegar em nossa casa não havia, em sua sacola, uma só peça de roupa que não estivesse, totalmente, amarela pelo suplício dos quilômetros de barros daquela estrada.
                        


                       

                  

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