Havia, a algum tempo atrás, um trem de passageiros que circulava à noite.
Era um horário de que eu gostava muito. Pois, a madrugada sempre teve uma certa magia para mim.
Certa vez, eu estava em uma estaçãozinha do interior de Minas, e junto comigo somente outras tres pessoas, a esperar pelo trem.
Era madrugada.
A neblina, densa, invadia toda a plataforma, envolvendo completamente a pequena estação...,e à nós.
A friagem daquela noite de inverno tornava o ambiente um tanto quanto sinistro.
A cidade desaparecera no breu da noite, e na brancura, intransponível, daquele clima.
Como os cenários dos filmes de Sherlok, pelos guetos de Londres, à procurar Jack.
Derrepente..., pisadas na escuridão.
Mas, era um pisar, e um caminhar, diferentes de qualquer som que já houvéssemos escutado.
Estávamos um pouco distantes uns dos outros e, instintivamente, e confesso que disfarçadamente, nos aproximamos um pouco mais uns dos outros.
Digo que não por medo. Por precaução.
Toda a nossa atenção, e olhares, se dirigiram em direção de onde vinha aquele estranho som.
Nossos pêlos se erriçaram.
Nossos corações palpitaram mais forte no peito.
Ansiávamos, agora ainda mais, que o trem chegasse e nos recolhesse à segurança de seus vagões.
Apesar do frio, uma fina lâmina de suor umidecia nossas têmporas.
O estranho som ficava cada vez mais forte. Mais próximo.
Vislumbramos, na densa neblina, uma silhueta larga, e com uns tres metros de altura, se aproximar de nós pela parte de trás da estação.
Agora nosso pensamento, e desejo, corriam por um só penssamento: "Onde está este bendito trem que não chega antes dessa assombração?"
Pois é, a essa altura nossas mentes já buscavam, no além, a explicação para aquela situação atípica.
Já nossos corpos dividiam, neste momento, o mesmo metro quadrado da plataforma.
Como a plataforma encolhera tanto?
Foi quando ouvimos o som, glorioso, do apito do trem, que se aproximava. E, simultaneamente, uma voz vinda do meio da neblina nos disse: "Boa noite, minha gente".
A nossa "assombração", nada mais era que "seu" Chico do correio que vinha buscar as cartas, e encomendas, do trem da madrugada em sua carroça.
Devido ao frio da noite, ele havia vestido um gibão e, sobre o dorso de sua mula pusera um manto. Em suas pernas, até ao chegar às patas, amarrara palhas para mantê-la aquecida.O que fazia o som do casco do animal se misturar ao da palha se arrastando ao chão. Produzindo aquele estranho, e sinistro som.
Ufa!!!
Kkkkkkkkkk!
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