"APENAS UM CONTO DA INFÂNCIA"

Tive uma infância muito rica em vivência e convivência.

Morei em várias cidades; estudei em diversas escolas; tive muitos amigos, primos e irmãos, com os quais brincava e aprontava.

Uma coisa em que eu era “mestre” era atirar pedra com a mão e acertar alvos que estavam distantes.

Não me importava se os alvos eram do reino mineral, vegetal ou animal (mesmo que neste estejam inclusos os humanos).

Certa vez jogávamos bolinha-de-gude na rua de casa, com a molecada, quando, derrepente, um dos moleques, que perdia suas “preciosas” bolinhas-de-gude para meu irmão, o empurrou, derrubando-o. Apanhou as bolinhas e saiu correndo para sua casa.

Sem pestanejar, apanhei uma das bolinhas que restaram no chão e arremessei em sua direção.

Ele já havia percorrido uns quarenta metros, se econtrando ao portão de casa, quando a bolinha atingiu sua cabeça.

Parou sua corrida e chorou tão alto que algumas mães saíram para ver o que acontecera (inclusive a mãe do dito cujo, em defesa de seu “filhote”).

Resultado: Minha mãe quase bateu na mãe do garoto, pelo escândalo que ela fez por uma situação tão normal e corriqueira dos meninos da nossa rua.

Entrei em casa me sentindo “O Vitorioso”, afinal, havia defendido e vingado meu irmão mais velho.

É, amigo, as crianças são mesmo seres muito inocentes, pois, ao entrar em casa, só faltou eu apanhar com “havaiana de pau”, porque a de borracha comeu solta em minhas pernas, e minhas inúteis mãos, que tentavam evitá-las.

Por qual motivo? Parar com a mania de arremessar pedras em tudo por qualquer razão que eu achasse justa.

Infelizmente, muitas outras chineladas me aguardavam na minha infância, pois a mania nunca saiu de mim. Como sairia, se ela era minha melhor defesa? Mantinha o adversário distante.

Na pedrada e na corrida, eu era praticamente insuperável.

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